Millôr Fernandes
"Acreditar que não acreditamos
em nada é crer na crença do descrer".
"Millôr Fernandes nasceu. Todo o seu aprendizado, desde a mais remota infância.
Só aos 13 anos de idade, partindo de onde estava. E também mais tarde, já homem
formado. No jornalismo e nas artes gráficas, especialmente. Sempre, porém,
recusou-se, ou como se diz por aí. Contudo, no campo teatral, tanto então quanto
agora. Sem a menor sombra de dúvida. Em todos seus livros publicados vê-se a
mesma tendência. Nunca, porém diante de reprimidos. De 78 a 89, janeiro a
fevereiro. De frente ou de perfil, como percebeu assim que terminou seu curso
secundário. Quando o conheceu em Lisboa, o ditador Salazar, o que não significa
absolutamente nada. Um dia, depois de um longo programa de televisão, foi
exatamente o contrário. Amigos e mesmo pessoas remotamente interessadas - sem
temor nenhum. Onde e como, mas talvez, talvez — Millôr, porém, nunca. Isso para
não falar em termos públicos. Mas, ao ser premiado, disse logo bem alto - e
realmente não falou em vão. Entre todos os tradutores brasileiros. Como ninguém
ignora. De resto, sempre, até o Dia a Dia”.
("Currículo" publicado por Millôr
quando de sua estréia no jornal "O Dia", Rio (RJ).
Considerado "um dos poucos escritores universais que possuímos", na opinião do
crítico Fausto Cunha, filho de Francisco Fernandes e de Maria Viola Fernandes,
Millôr Fernandes nasceu no dia 16 de agosto de 1923 no Méier, subúrbio do Rio de
Janeiro, com o nome de Milton Viola Fernandes. Só seria registrado no ano
seguinte, tendo como data oficial de nascimento o dia 27 de maio de 1924. Sua
certidão de nascimento, grafada à mão, fazia crer que seu nome era Millôr e não
Milton. Seu pai, engenheiro emigrante da Espanha, morre em 1925, com apenas 36
anos. A família começa a passar por dificuldades e sua mãe passa horas em frente
a uma máquina de costura para poder sustentar os 4 filhos. Apesar do aperto, o
autor teve uma infância feliz, ao lado de 10 tios, 42 primos e primas e da avó
italiana D. Concetta de Napole Viola.
Estuda na Escola Ennes de Souza, de 1931 a 1935, por ele chamada de Universidade
do Meyer, mas que na verdade era uma escola pública. Diz dever tudo o que sabe a
sua professora, Isabel Mendes, depois diretora e hoje nome da escola. Se
emociona ao falar sobre ela "...uma mulatinha magra e devotada, que me ensinou
tudo que se deve aprender de um professor ou de uma escola: a gostar de estudar.
Depois disso, pode-se ser autodidata. Escola, a não ser para campos
técnicos/experimentais, é praticamente inútil".
A chegada ao Brasil das histórias em quadrinhos, em 1934, faz de Millôr um
leitor assíduo dessas publicações, em especial de Flash Gordon, de autoria de
Alex Raymond, e, com isso, dar vazão à sua criatividade. Sob a influência de seu
tio Antônio Viola, tem seu primeiro trabalho publicado em um órgão da imprensa —
"O Jornal", do Rio de Janeiro, tendo recebido o pagamento de 10 mil reis por
ele. Era o início do profissionalismo, adotado e defendido para sempre.
Em 1935, também com 36 anos, falece sua mãe, o que faz com que os irmãos
Fernandes passem a levar uma vida dificílima. Essa coincidência de datas leva
Millôr a escrever um conto, "Agonia", publicado na revista "Cigarra" em janeiro
de 1947, onde afirmava: "Tenho dia e hora marcada para me ir e o acontecimento
se dará por volta de 1959". A morte da mãe o leva a morar em Terra Nova,
subúrbio próximo ao Méier, com o tio materno Francisco, sua mulher Maria e
quatro filhos.
Trabalha, em 1938, com o Dr. Luiz Gonzaga da Cruz Magalhães Pinto, entregando o
remédio para os rins "Urokava" em farmácias e drogarias. Durou pouco esse
emprego. Logo vai ser contínuo, repaginador, factótum, na pequena revista "O
Cruzeiro", que nessa época tinha, além de Millôr, mais dois funcionários: um
diretor e um paginador. A revista, anos depois, chegou a vender mais de 750.000
exemplares. Com o pseudônimo "Notlim" ganha um concurso de crônicas promovido
pela revista "A Cigarra". Com isso, é promovido e passa a trabalhar no arquivo.
O cancelamento de publicidade em quatro páginas de "A Cigarra" fez com que fosse
chamado por Frederico Chateaubriand para preencher as páginas que ficaram em
branco. Cria, então, o "Poste Escrito", onde assinava-se Vão Gôgo. O sucesso da
seção faz com que ela passe a ser fixa. Com o mesmo pseudônimo, começa a
escrever uma coluna no "Diário da Noite". Assume a direção de "A Cigarra", cargo
que ocuparia por três anos. Dirigiu também "O Guri", revista em quadrinhos e
"Detetive", que publicava contos policiais.
Ciente da necessidade de se aprimorar, estuda no Liceu de Artes e Ofícios do Rio
de Janeiro de 1938 a 1943.
Em 1940, muda-se para o bairro da Lapa, centro da cidade, e passa a morar
próximo a Alceu Pena, seu colega em "O Cruzeiro". Colabora na seção "As garotas
do Alceu" como colorista e versejador.
Autodidata, faz sua primeira tradução literária: "Dragon seed", romance da
americana Pearl S. Buck, com o título "A estirpe do dragão", em 1942.
No ano seguinte retorna, com Frederico Chateaubriand e Péricles, à revista "O
Cruzeiro". Em dez anos, a tiragem foi um grande êxito editorial, passando de 11
mil para mais de 750 mil exemplares semanais.
Em 1945, inicia a publicação de seus trabalhos na revista "O Cruzeiro", na seção
"O Pif-Paf", sob o pseudônimo de Vão Gôgo e com desenhos de Péricles.
No ano seguinte lança "Eva sem costela — Um livro em defesa do homem", sob o
pseudônimo de Adão Júnior.
Sua colaboração para "O Cruzeiro", em 1947, atinge a marca de dez seções por
semana.
Em 1948 viaja aos Estados Unidos, onde encontra-se com Walt Disney, Vinicius de
Moraes, o cientista César Lates e a estrela Carmen Miranda. Casa-se com Wanda
Rubino.
Publica "Tempo e Contratempo", com o pseudônimo de Emmanuel Vão Gôgo, em 1949.
Assina seu primeiro roteiro cinematográfico, "Modelo 19". O filme, lançado com o
título "O amanhã será melhor", ganha cinco prêmios Governador do Estado de São
Paulo. Millôr é agraciado com o de melhores diálogos.
Em 1951, na companhia de Fernando Sabino, viaja de carro pelo Brasil, durante 45
dias. Lança a revista semanal "Voga", que teve apenas cinco números.
Viaja pela Europa por quatro meses, em 1952.
"Uma mulher em três atos", sua primeira peça, estréia no Teatro Brasileiro de
Comédia, em São Paulo (SP), em 1953.
No ano seguinte, compra o imóvel que se tornaria famoso — "a cobertura do Millôr",
no bairro de Ipanema, onde o escritor até hoje vive. Nasce seu filho Ivan.
Em 1955, divide com o desenhista norte-americano Saul Steinberg o primeiro lugar
da Exposição Internacional do Museu da Caricatura de Buenos Aires, Argentina.
Escreve “Do tamanho de um defunto”, que estreou no Teatro de Bolso (Rio) e,
depois, adaptado pelo próprio autor para o cinema, tendo o filme o título de
“Ladrão em noite de chuva”. Nesse ano escreve “Bonito como um deus”, que estréia
no Teatro Maria Della Costa, em São Paulo (SP), e ainda “Um elefante no caos” e
“Pigmaleoa”.
Em 1956, Millôr passa a ilustrar todos os seus textos publicados na revista "O
Cruzeiro".
No ano de 1957, o Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro recebe exposição
individual do biografado. Realiza a cenografia de “As guerras do alecrim e da
manjerona”. Esse trabalho foi premiado pelo Serviço Nacional de Teatro no ano de
1958.
Nesse ano, conclui a primeira tradução teatral: “Good people”, então intitulada
“A fábula de Brooklin — Gente como nós”. Fez parte do grupo que "implantou" o
frescobol no posto 9, Ipanema, Rio de Janeiro.
Escreve o roteiro de “Marafa”, a partir do romance homônimo de Marques Rebello.
Em 1959. No mesmo ano, apresenta na TV Itacolomi, de Belo Horizonte, a convite
de Frederico Chateaubriand, uma série de programas intitulada “Universidade do
Méier”, na qual desenhava enquanto fazia comentários. Posteriormente, o programa
foi transferido para a TV Tupi do Rio de Janeiro, com o título de “Treze lições
de um ignorante” e suspenso por ordem do governo Juscelino Kubitschek após uma
crítica à primeira dama do país: Disse Millôr: "Dona Sarah Kubitschek chegou
ontem ao Brasil depois de 5 meses de viagem à Europa e foi condecorada com a
Ordem do Mérito do Trabalho." Nasce sua filha, Paula.
Nos anos seguintes, já integrado à intelectualidade carioca, convive com
Péricles, criador de "O Amigo da Onça", Nelson Rodrigues, David Nasser, Jean
Manson, Alfredo Machado, Fernando Chateaubriand, Emil Farhat e Accioly Netto,
entre outros.
Em 1960, depois de resolvidos os problemas com a censura, estréia no Teatro da
Praça, no Rio, ”Um elefante no caos”. O título original da peça era “Um elefante
no caos ou Jornal do Brasil ou, sobretudo, Por que me ufano do meu país” rendeu
a Millôr o prêmio de “Melhor Autor” da Comissão Municipal de Teatro. O filme
“Amor para três”, com roteiro do biografado, baseado em “Divórcio para três”, de
Victorien Sardou, é dirigido por Carlos Hugo Christensen. Millôr colaboraria com
esse diretor em mais três filmes: “Esse Rio que eu amo”, 1962, Crônica da cidade
amada”, 1965, e O menino e o vento, 1967.
Expõe, em 1961, desenhos na Petit Galerie, no Rio. Viaja ao Egito e retorna
antes do previsto, tendo em vista a renúncia do presidente Jânio Quadros.
Trabalha por 7 dias no jornal "Tribuna da Imprensa", Rio, que mais tarde
pertenceu a seu irmão Hélio Fernandes. Foi demitido por ter escrito um artigo
sobre a corrupção na imprensa. Os editores, o poeta Mário Faustino e o
jornalista Paulo Francis pediram também demissão em solidariedade.
No ano seguinte, na edição de 10 de março de “O Cruzeiro”, “demite” Vão Gôgo e
passa a assinar Millôr. A Amstutz & Herder Graphic Press, importante publicação
de Zurique, dedica uma página de seu anuário ao autor. “Pigmaleoa” é
apresentada, sob a direção de Adolfo Celi, no Teatro Rio.
Em 1963, escreve a peça teatral “Flávia, cabeça, tronco e membros”. Viaja a
Portugal e, durante sua ausência, a revista “O Cruzeiro” publica editorial no
qual se isenta de responsabilidade pela publicação de “História do Paraíso”, que
obteve repercussão negativa por parte dos leitores católicos da revista. Millôr
deixa a revista e começa a trabalhar no jornal “Correio da Manhã”, lá ficando
até o ano seguinte.
A partir de 1964, e até 1974, colabora semanalmente no jornal Diário Popular, de
Portugal. A página mereceria o seguinte comentário de um ministro de Salazar:
"Este tem piada, pena que escreva tão mal o português". Lança a revista “Pif-Paf”,
considerada o início da imprensa alternativa no Brasil. Foi fechada em seu
oitavo número, por problemas financeiros.
Volta à TV, em 1965, como apresentador na TV Record, ao lado de Luis Jatobá e
Sérgio Porto (Stanislaw Ponte Preta), do “Jornal de Vanguarda”. “Liberdade
liberdade” estréia no Teatro Opinião, no Rio, musical escrito em parceria com
Flávio Rangel.
Composta pelo biografado, a canção “O homem” é defendida no II Festival de
Música Popular Brasileira, promovido pela TV Record, por Nara Leão, em 1966.
Monta, ao ar livre, no Largo do Boticário, Rio, só com atores negros, sua
adaptação de “Memórias de um sargento de milícias”.
Em 1968 atua, ao lado de Elizeth Cardoso e do Zimbo Trio, em “Do fundo do azul
do mundo”, espetáculo musical de sua autoria. Passa a colaborar com a revista
“Veja”.
Na sua estréia, apresentou-se com o texto que abaixo reproduzimos parcialmente:
SUPERMERCADO MILLÔR
ANO I - N.º 1
(Autobiografia De Mim Mesmo À Maneira De Mim Próprio)
"E lá vou eu de novo, sem freio
nem pára-quedas. Saiam da frente, ou debaixo que, se não estou radioativo, muito
menos estou radiopassivo. Quando me sentei para escrever vinha tão cheio de
idéias que só me saíam gêmeas, as palavras — reco-reco, tatibitate, ronronar,
coré-coré, tom-tom, rema-rema, tintim-por-tintim. Fui obrigado a tomar uma
pílula anticoncepcional. Agora estou bem, já não dói nada. Quem é que sou eu?
Ah, que posso dizer? Como me espanta! Já não fazem Millôres como antigamente!
Nasci pequeno e cresci aos poucos. Primeiro me fizeram os meios e, depois, as
pontas. Só muito tarde cheguei aos extremos. Cabeça, tronco e membros, eis tudo.
E não me revolto. Fiz três revoluções, todas perdidas. A primeira contra Deus, e
ele me venceu com um sórdido milagre. A segunda com o destino, e ele me bateu,
deixando-me só com seu pior enredo. A terceira contra mim mesmo, e a mim me
consumi, e vim parar aqui.”
”... Dou um boi pra não entrar numa briga. Dou uma boiada pra sair dela....Aos
quinze (anos) já era famoso em várias partes do mundo, todas elas no Brasil.
Venho, em linha reta, de espanhóis e italianos. Dos espanhóis herdei a natural
tentação do bravado, que já me levou a procurar colorir a vida com outras cores:
céu feito de conhas de metal roxo e abóbora, mar todo vermelho, e mulheres
azuis, verdes ciclames. Dos italianos que, tradicionalmente, dão para engraxates
ou artistas, eu consegui conciliar as duas qualidades, emprestando um brilho
novo ao humor nativo. Posso dizer que todo o País já riu de mim, embora poucos
tenham rido do que é meu.”
”Sou um crente, pois creio firmemente na descrença. ...Creio que a terra é
chata. Procuro não sê-lo. ...Tudo o que não sei sempre ignorei sozinho. Nunca
ninguém me ensinou a pensar, a escrever ou a desenhar, coisa que se percebe
facilmente, examinando qualquer dos meus trabalhos.”
”A esta altura da vida, além de descendente e vivo, sou, também, antepassado. É
bem verdade que, como Adão e Eva, depois de comerem a maçã, não registraram a
idéia, daí em diante qualquer imbecil se achou no direito de fazer o mesmo. Só
posso dizer, em abono meu, que ao repetir o Senhor, eu me empreguei a fundo. Em
suma: um humorista nato. Muita gente, eu sei, preferiria que eu fosse um
humorista morto, mas isso virá a seu tempo. Eles não perdem por esperar.”·
Ainda em 1968 escreve o texto do show “Momento 68”, promovido pela empresa
Rhodia, que contou com a participação de Caetano Veloso, Walmor Chagas e Lennie
Dale, entre outros.
No ano seguinte, participa do grupo fundador de “O Pasquim”.
Fernanda Montenegro estrela “Computa, computador, computa”, no Teatro Santa
Rosa, no Rio, em 1972. Lança o livro “Esta é a verdadeira história do Paraíso” e
também “Trinta anos de mim mesmo”, numa sessão de autógrafos denominada “Noite
da contra-incultura”.
Em 1975, faz exposição de 25 quadros “em branco, mas com significado”, na
Galeria Grafitti, no Rio.
No ano seguinte, escreve para Fernanda Montenegro a peça “É...”, que se tornou o
grande sucesso teatral de Millôr ao ser encenada no Teatro Maison de France, no
Rio.
Em 1977, realiza nova exposição de seus trabalhos no Museu de Arte Moderna do
Rio de Janeiro.
Adapta, no ano seguinte, para o formato de musical a peça “Deus lhe pague”, de
Joracy Camargo, que contou com Bibi Ferreira na direção e com músicas de Edu
Lobo e Vinicius de Moraes. É homenageado pelo 5º Salão de Humor de Piracicaba
(SP), mas “exige” que a honraria seja “para todos os humoristas na pessoa de
Millôr Fernandes”. Em Brasília, para o Museu da Moeda, localizado no Banco
Central do Brasil, produz quatro painéis que contam a
história do dinheiro.
Estréia no Teatro dos Quatro, Rio, a peça “Os órfãos de Jânio”, em 1980.
Publica “Desenhos”, uma compilação de seus trabalhos gráficos, com textos de
apresentação de Pietro Maria Bardi e Antônio Houaiss, em 1981.
O ano de 1982 é de muito trabalho. O autor escreve e publica a peça “Duas tábuas
e uma paixão”. Traduz a opereta “A viúva alegre”, de Franz Lear, apresentada no
Teatro Municipal do Rio de Janeiro. Tetê Medina monta “A eterna luta entre o
homem e a mulher”, no Teatro Clara Nunes – Rio. Escreve a adaptação de “A chorus
line”, encenado por Walter Clark. Estréia “Vidigal: Memórias de um sargento de
milícias”. São dele, nessa peça, os cenários, figurinos e letras, musicadas por
Carlos Lyra. Com Flávio Rangel, escreve e representa o espetáculo “O gesto, a
festa, a mensagem”, na TV Record de São Paulo. Deixa a revista “Veja”.
Em 1983, é homenageado pela Escola de Samba Acadêmicos do Sossego, de Niterói
(RJ). Millôr não comparece ao desfile. Passa a colaborar com a revista “Istoé”.
Lança “Poemas”, em 1984. Estréia o musical “O MPB4 e o dr. Çobral vão em busca
do mal”.
No ano seguinte, colabora com o Jornal do Brasil. Lança o “Diário da Nova
República”. É montada a peça “Flávia, cabeça, tronco e membros” no Teatro
Ginástico – Rio.
Passa a usar o computador para escrever e desenhar, em 1986. Escreve, com
Geraldo Carneiro e Gilvan Pereira, o roteiro do filme “O judeu”, dirigido por
Jom Tob Azulay, baseado na vida de António José da Silva. Rodado em Portugal, só
seria concluído em 1995.
”L’anné 82 au Brésil: le regard critique de Millôr Fernandes” (O ano de 82 no
Brasil: o olhar crítico de Millôr Fernandes), é o tema de tese de doutoramento
de Françoise Duprat na Universidade de Toulouse-Le Mirail II, França, em 1987.
No ano seguinte, lança “The cow went to the swamp / A vaca foi para o brejo”. Na
Universidade de São Paulo (USP), Branca Granatic defende, na dissertação de
mestrado, “Os recursos humorísticos de Millôr Fernandes”.
Em 1990, nasce seu neto, Gabriel, filho de Ivan.
Deixa a revista “Istoé” e o Jornal do Brasil, em 1992.
No ano de 1994, lança “Millôr definitivo — A bíblia do caos”.
Escreve a peça “Kaos”, Adapta para a Rede Globo “Memórias de um sargento de
milícias”. A partir de um argumento de Walter Salles, escreve o roteiro “Últimos
diálogos”, em 1995.
Em 1996, passa a colaborar nos jornais “O Dia” (RJ), “O Estado de São Paulo”
(SP) e “Correio Braziliense” (DF). Neste último, trabalharia somente até o fim
do ano.
Em 1998, em parceria com Geraldo Carneiro e Jom Tob Azulay, assina o roteiro de
“Mátria”.
No ano seguinte, começa a adaptar “Os três mosqueteiros”, de Dumas, para o
formato de musical, trabalho que não chegou a ser concluído.
Em 2000, escreve o roteiro de “Brasil! Outros 500 — Uma PoopÓpera”, que teve sua
estréia no Teatro Municipal de São Paulo. O espetáculo contava com músicas de
Toquinho e Paulo César Pinheiro e arranjos de Wagner Tiso. Deixa de colaborar
com “O Estado de São Paulo” e “O Dia”. Passa a colaborar com coluna semanal na
“Folha de São Paulo”. Lança o site “Millôr On Line” (http://www.millor.com.br) .
No ano seguinte, deixa a “Folha de São Paulo” e volta ao “Jornal do Brasil”.
Em 2002, publica “Crítica da razão impura ou O primado da ignorância”, em que
analisa as obras “Brejal dos Guajas e outras histórias”, de José Sarney, e
“Dependência e desenvolvimento na América Latina, de Fernando Henrique Cardoso.
Deixa de colaborar, em novembro, com o “Jornal do Brasil”.
Em 2003, ilustra “O menino”, volume de contos de João Uchoa Cavalcanti Netto, e
faz cem desenhos para uma nova compilação das “Fábulas fabulosas”.
Em 2004, lança pela Editora Record, “Apresentações”.
Em meados de agosto de 2004 é anunciado seu retorno às folhas da revista semanal
“Veja”, a partir de setembro daquele ano.
Tempos atrás um jornal publicou que Millôr estava todo cheio de si por ter
recebido, em sua casa, uma carta de um leitor com o seguinte endereçamento:
"Millôr
Ipanema"
É a glória!