Moacyr Scliar



Moacyr Jaime Scliar nasceu em Porto Alegre (RS) a 23 de março de 1937. Sua mãe, professora primária, foi quem o alfabetizou. Cursou, a partir de 1943, a Escola de Educação e Cultura, daquela cidade, conhecida como Colégio Iídiche. Transferiu-se, em 1948, para o Colégio Rosário, uma escola católica.

Em 1955, passou a cursar a faculdade de medicina da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, onde se formou em 1962. Iniciando sua vida como médico, trabalhou junto ao Serviço de Assistência Médica Domiciliar e de Urgência (SAMDU), daquela cidade. Especializa-se no campo da saúde pública como médico sanitarista.

Publica seu primeiro livro, “Histórias de um Médico em Formação”, em 1962. A partir daí, não parou mais. São mais de 60 livros abrangendo o romance, a crônica, o conto, a literatura infantil, o ensaio, pelos quais recebeu inúmeros prêmios literários. Sua obra é marcada pelo flerte com o imaginário fantástico e pela investigação da tradição judaico-cristã. Algumas delas foram traduzidas e publicadas na França, Alemanha, Israel, Estados Unidos, Holanda e Espanha.

Colabora com diversos dos principais meios de comunicação da mídia impressa (Folha de São Paulo, Zero Hora e Veja). Alguns de seus textos foram adaptados para o cinema, teatro e tevê.

Nos anos de 1993 e 1997, vai aos EUA como professor visitante no Departamento de Estudos Portugueses e Brasileiros da Brown University .

Em 31 de julho de 2003 foi eleito, por 35 dos 36 acadêmicos com direito a voto, para a Academia Brasileira de Letras, na cadeira nº 31, ocupada até março de 2003 por Geraldo França de Lima.


BIBLIOGRAFIA
:

Histórias de um Médico em Formação, 1962.

O Carnaval dos Animais, 1968, Movimento

A Guerra no Bom Fim, 1972, Expressão e Cultura

O Exército de um Homem Só, 1973, Expressão e Cultura

Os Deuses de Raque, 1975, Expressão e Cultura

O Ciclo das Águas, 1975, Globo

A Balada do Falso Messias, 1976, Ática

Histórias da Terra Trêmula, 1976., Escrita.

Mês de Cães Danados, 1977, L&PM.

O Anão no Televisor, 1979, Globo .

Doutor Miragem, 1979, L&PM .

Os Voluntários, 1979, L&PM.

O Centauro no Jardim, 1980, Nova Fronteira.

Cavalos e Obeliscos (literatura infantil), 1980, Mercado Aberto.

Max e os Felinos, 1981, L&PM.

A Festa no Castelo (ficção juvenil), 1982, L&PM.

A Estranha Nação de Rafael Mendes, 1983, L&PM.

A massagista japonesa, 1984, L&PM.

Os Melhores Contos de Moacyr Scliar, 1984, Global

Memórias de um Aprendiz de Escritor (ficção juvenil), 1984, Cia Editora Nacional.

Dez Contos Escolhidos, 1984, Horizonte.

O Olho Enigmático, 1986, Guanabara.

A Condição Judaica (ensaio), 1987, L&PM.

Do Mágico ao Social: a Trajetória da Saúde Pública (ensaio), 1987, L&PM.

No Caminho dos Sonhos (ficção juvenil), 1988, FTD.

A orelha de Van Gogh, 1988, Cia. das Letras.

O Tio que Flutuava, (ficção juvenil), 1988, Ática.

Cenas Médicas, 1988, UFRGS.

Os Cavalos da República (ficção juvenil), 1989, FTD.

Cenas da Vida Minúscula, 1991, L&PM.

Prá Você Eu Conto (ficção juvenil), 1991, Atual.

Sonhos Tropicais, 1992, Cia. das Letras.

Se Eu Fosse Rotschild, (ensaio), 1993, L&PM.

Uma História Só pra Mim, 1994, Atual.

Judaísmo: dispersão e Unidade (ensaio), 1994, Ática .

Contos Reunidos, 1995, Cia. das Letras .

Um Sonho no Caroço de Abacate (ficção juvenil), 1995, Global.

O Rio Grande Farroupilha (ficção juvenil), 1995, Ática.

Oswaldo Cruz (ensaio), 1996, Relume-Dumará.

A Paixão Transformada: História da Medicina na Literatura (ensaio), 1996, Cia. das Letras.

A Majestade do Xingu, 1997, Cia. das Letras.

O Amante da Madonna, 1997, Mercado Aberto.

Os Contistas, 1997, Ediouro.

Histórias para (Quase) Todos os Gostos, 1998, L&PM.

Câmera na Mão, o Guarani no Coração (ficção infantil), 1998, Ática.

A Mulher que Escreveu a Bíblia, 1999, Cia. das Letras

A Colina dos Suspiros (ficção juvenil), 1999, Moderna.

Os Leopardos de Kafka, 2000, Cia. das Letras.

Livro da Medicina (ficção juvenil), 2000, Cia. das Letrinhas.

O Mistério da Casa Verde (ficção juvenil), 2000, Ática.

Meu Filho, o Doutor: Medicina e Judaísmo na História, na Literatura e no Humor (ensaio), 2000, Artes Médicas.

A Face Oculta: Inusitadas e Reveladoras Histórias da Medicina (ensaio), 2000, Artes e Ofícios.

Porto de Histórias: Mistérios e Crepúsculos de Porto Alegre (ensaio), 2000, Record.

O Ataque do Comando P. Q. (ficção juvenil), 2001, Ática.

Navio das cores (obras de Lasar Segall), 2003, Berlendis & Vertecchia.

Saturno nos Trópicos, 2003, Cia. das Letras.

Obras traduzidas no exterior:

Der zentaur im garten. Hoffman und Campe, Alemanha, 1985; Verlages Volk und Welt, Alemanha, 1988; Rowohlt, Alemanha, 1989.

Le centaure dans le jardin. França, Presses de la Rénaissance, 1985.

The centaur in the garden. EUA, Available Press, 1985; EUA, Ballantine Books, 1988.

El centauro en el jardin. Espanha, Madrid Editorial Swan, 1985; Espanha, Círculo de Letras, 1986.

The gods of Raquel. EUA, Available Press, 1986; EUA, Ballantine Books, 1988.

L'étrange naissance de Rafael Mendes. França, Presses de la Rénaissance, 1986.

Le carnaval des animaux. França, Presses de la Rénaissance, 1987.

El ejercito de un solo hombre. Argentina, Contexto, 1987.

The carnival of the animals. EUA, Available Press/Ballantine Books, 1987.

The ballad of the false Messiah. EUA, Available Press/Ballantine Books, 1987.

The strange nation of Rafael Mendes. EUA, Harmony Books, 1988.

The volunteers. EUA, Available Press/Ballantine Books, 1988.

El ejercito de un hombre solo. Colômbia, Tercer Mundo, 1988.

La estraña nación de Rafael Mendes. Espanha, Circe Editiones, 1988.

Die ein mann-armee. Alemanha, Edition Weitbrecht, 1989.

Das seltsame volk des Rafael Mendes. Alemanha, Edition Weitbrecht, 1989.

The enigmatic eye. EUA, Available Press/Ballantine Books, 1989.

Max and the cats. EUA, Available Press/Ballantine Books, 1989.

Max et les chats. França, Presses de la Rénaissance, 1991.

Oswaldo Cruz le magnifique. França, Belfond, 1994.

Sa majesté des indiens. França, Albin Michel, 1998.

(Participou de 17 antologias estrangeiras. Teve sua obra traduzida em diversos idiomas e publicada em mais de vinte países)

Prêmios recebidos:

1968 - Prêmio da Academia Mineira de Letras

1974 - Prêmio Joaquim Manoel de Macedo - Governo do Estado do Rio de Janeiro

1976 - Prêmio Cidade de Porto Alegre

1977 - Prêmio Brasília

1977 - Prêmio Guimarães Rosa — Governo do estado de Minas Gerais

1977 - Prêmio Erico Verissimo de romance

1980 - Prêmio da Associação de Críticos de Arte

1988 - Prêmio Jabuti

1989 - Prêmio Casa de las Américas (Cuba), para “A orelha de Van Gogh”.

1990 - Prêmio Pen Club do Brasil

1993 - Prêmio Jabuti, para o romance “Sonhos Tropicais”.

1996 - Porto Alegre RS — Prêmio Açorianos

1997 - Prêmio Açorianos — Prefeitura de Porto Alegre

1998 - Prêmio José Lins do Rego, da Academia Brasileira de Letras, para o romance A Majestade do Xingu

1999 - Prêmio Mario Quintana

2000 - Prêmio Jabuti, categoria romance, para o livro A Mulher que Escreveu a Bíblia

Sobre o autor:

SILVERMAN, Malcolm. A ironia na obra de Moacyr Scliar. In: ______. Moderna ficção brasileira. Tradução de João Guilherme Linke. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira

SZKLO, Gilda Salem. O bom fim do shtetl: Moacyr Scliar. São Paulo: Perspectiva, 1990.

ZILBERMAN, Regina Levin. A ficção de Moacyr Scliar. Suplemento Literário, Belo Horizonte, 27 mar. 1982.

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