Valorização da leitura
será peça chave do novo ensino médio proposto
pelo MEC
Fonte:
UOL Educação
O ensino médio deve passar por grandes
mudanças. E a valorização da leitura será
a peça chave do novo currículo proposto pelo MEC (Ministério
da Educação). "A leitura dá autonomia no
aprendizado, na escola, na universidade e no mundo do trabalho",
argumenta Maria Eveline Villar Queiroz, coordenadora geral do ensino
médio no ministério.
Colocar a leitura no centro do currículo, segundo Maria Eveline,
tem o objetivo de preparar o cidadão para ter êxito tanto
nos estudos como na vida. Para ela, às vezes, a dificuldade
do estudante está na forma de ler e de interpretar os códigos
e não propriamente no conteúdo da disciplina.
O programa também quer oferecer uma escola mais atrativa para
o aluno e, assim, reduzir os índices de abandono. Entre as
inovações que o MEC sugere estão a ampliação
da carga horária dos três anos do ensino médio
para três mil horas (hoje são 2.400 horas); a leitura
como elemento central e básico em todas as disciplinas; estudo
da teoria aplicada à prática; fomento às atividades
culturais; professor com dedicação exclusiva.
Estatísticas
Dados do documento sobre o programa Ensino Médio
Inovador, extraídos da Pesquisa Nacional de Amostragem de Domicílio
(Pnad 2006), indicam que dos 10,4 milhões de brasileiros de
15 a 17 anos, mais de 50% não estavam matriculados no ensino
médio naquele ano. A mesma Pnad revela que o acesso ao ensino
médio é desigual entre grupos da população:
apenas 24% de jovens na faixa etária de 15 a 17 anos, dos 20%
mais pobres, estão no ensino médio, enquanto que entre
os ricos o índice é de 76,3%.
Quando o ensino médio é analisado por região,
a Pnad também retrata desigualdades. No Sudeste, 73,3% dos
jovens na faixa de 15 a 17 anos estão no ensino médio,
mas no Nordeste, esse índice cai para 33,1%. A Secretaria da
Educação Básica também buscou na pesquisa
Juventude e Políticas Sociais no Brasil, realizada pelo Instituto
de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), em 2005, dados para traçar
outro quadro que oferece aos integrantes do fórum: naquele
ano, 34% dos jovens de 15 a 17 anos ainda estavam no ensino fundamental;
17% dos jovens nessa faixa etária não estudavam; e na
faixa de 18 a 24 anos, 66% não estudavam. Os motivos da evasão,
diz a pesquisa, se concentram em duas situações: 42,2%
dos homens deixam a escola para trabalhar, e 21,1% das mulheres, por
causa de gravidez.
Discussão em Brasília
O Fórum dos Coordenadores Estaduais do
Ensino Médio e a Secretaria da Educação Básica
do Ministério da Educação discutem, na próxima
semana, o novo Enem e mudanças no currículo do ensino
médio. A reunião será em Brasília, nos
dias 25 e 26.
No encontro com os integrantes do fórum, o MEC vai apresentar
o Ensino Médio Inovador, que é um programa de apoio
técnico e financeiro oferecido às redes estaduais que
desejam melhorar a qualidade do ensino. Para receber o apoio, diz
a coordenadora, o estado precisa aderir e apresentar um projeto.
O diretor de avaliação da educação básica
do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio
Teixeira), Heliton Ribeiro Tavares, vai apresentar o novo Exame Nacional
do Ensino Médio, proposto pelo MEC. Os modelos de provas, o
número de questões, a segurança da aplicação,
o calendário. No mesmo encontro, o fórum vai saber do
andamento do debate sobre a revisão das diretrizes curriculares
do ensino médio. Esse tema será abordado pelos consultores
Antônio Flávio Barbosa, da PUC-RJ, e Alfredo Veiga Neto,
da UFRGS.