| Aspecto
Verbal
tempo presente e tempo futuro
Quando uma pessoa diz "Tomo banho todos os dias",
será que naquele exato momento ela está tomando banho?
Não. O verbo está no presente, mas sua função
é indicar um fato que se repete, um presente habitual.
Numa aula de história o professor fala: "Então,
nesse dia, Napoleão invade ..."
A forma verbal "invade", que é presente,
não indica que naquele momento Napoleão está invadindo
algum lugar. Na frase, o tempo presente do verbo "invadir"
faz remissão a um fato que ocorreu no passado e traz esse passado
mais para perto.
Concluímos, então, que os tempos verbais têm outros
valores além dos específicos.
Tomemos o futuro do presente como ele aparece nos "Dez mandamentos"
bíblicos:
Amarás a Deus sobre todas as coisas
Não tomarás seu santo nome
em vão
Guardarás os domingos e feriados
Honrarás pai e mãe
Não matarás
Não pecarás contra a castidade
Não furtarás ....
"Não furtarás", ao pé
da letra, significaria que é proibido furtar no futuro, apenas
no futuro, o que abre a possibilidade de entender que o ato é
perfeitamente aceitável no presente. Mas, na verdade, "não
furtarás", que é futuro, tem nesse caso
o valor de imperativo e, como tal, indica que é proibido furtar
em qualquer tempo.
Ao analisar um tempo verbal não se esqueça de considerar
que ele pode indicar seu valor específico ou um valor paralelo
(aspecto verbal), ou seja, um valor decorrente de seu uso no idioma.
Conjugação
Verbal
Grafia dos verbos "querer" e "por"
Eu pus a carta no correio.
A ferida não cicatrizou e ainda tem pus.
Como escrevemos o "pus" do verbo pôr
e o "pus" relativo a ferida?
O "Nossa Língua Portuguesa" fez essas perguntas às
pessoas na rua. A maioria acertou. O "pus" da ferida
é com "s; o"pus" do verbo, também.
Não existe "pus" com "z", seja verbo seja
substantivo. Para esses casos deve-se esquecer a letra "s".
Pus, puser,
puseram, pusesse
Todas essas palavras são com "s".
Quis, quiser,
quisesse, quiseram,
quisemos
depuseram, propuseram,
impuseram, repuseram,
sobrepuseram, decompuseram
Todas as formas dos verbos "querer", "pôr"
e derivados devem ser grafados também com "s".
O verbo "ter" e derivados
É difícil alguém errar a conjugação
do verbo "ter", tanto no presente, no passado ou no futuro.
Mas, quando se trata de conjugar os verbos derivados de "ter",
os verbos compostos, já não há tanta facilidade.
Na rua as pessoas comprovam isso. Foi proposta a seguinte questão:
Quais as formas corretas?
"Se a máquina reter o cartão" ou...
" Se a máquina retiver o cartão"?
A maioria errou. A resposta correta seria
"Se a máquina retiver o cartão".
O verbo "reter" é um dos tantos filhos
da família do verbo "ter": "deter",
"reter", "entreter", "obter",
"conter", "abster" etc.
Logo:
eu tenho
eu retenho
eu mantenho
eu detenho
eu obtenho
eu contenho
No futuro do subjuntivo é a mesma coisa: "Quando eu
tiver", "Se o goleiro tiver sorte".
E não "Quando eu "ter" ", "Se o goleiro
"ter" sorte." Assim,
Se a máquina retiver o cartão
Se você mantiver a calma
Se a mãe entretiver a criança
Se os deputados se abstiverem de votar
Para a conjugação dos verbos derivados do verbo
"ter" o raciocínio é simples. Apóie-se
no verbo "ter", na primeira pessoa do singular do presente
do indicativo: Eu tenho.
Eu detenho, eu mantenho
etc...
Depois é só seguir essa linha de conjugação.
O verbo "vir" e derivados
Você diria
"A polícia interviu" ou
"A polícia interveio"?
O forma correta é "A polícia interveio".
O verbo "intervir" deriva do verbo "vir".
No presente do indicativo a conjugação do verbo "vir"
é:
Eu venho
Tu vens
Ele vem...
Como o verbo "intervir" é derivado,
sua conjugação é feita a partir do verbo "vir".
Eu intervenho
Tu intervéns
Ele intervém...
O gramático e professor Napoleão Mendes de Almeida reforça
a tese afirmando: "A conjugação dos verbos compostos
deve seguir a conjugação dos verbos simples". Esse
é o caso do verbo "deter", que procede de "ter".
A pessoa não deve dizer "Ele "deteu", mas "ele
deteve"
Assim, deve-se dizer:
"Se a polícia intervier" (como
"vier"), e não "se a polícia intervir".
"Eu só comprarei se o preço convier",
e não "se o preço "convir".
"Eu comprei porque o preço conveio",
e não "porque o preço "conviu".
Para conjugar verbos como "intervir", "convir",
"provir", etc., devemos nos basear sempre no verbo
"vir". Ele é a base de toda a família.
Verbos terminados em "-iar"
O saudoso Adoniran Barbosa cantava uma canção em que dizia:
É que de um relógio pro outro as
hora vareia.
Ele tinha o jeitão dele, "as hora vareia", com uma
linguagem bem popular, perfeitamente adequada ao conteúdo de
suas letras.
No padrão formal da língua, no entanto, "as hora"
não "vareia", mas "as horas variam".
A hora varia
As horas variam
O verbo "variar" termina em "- iar" e é regular,
ou seja, segue um determinado modelo, um determinado paradigma, como
estes exemplos:
anunciar - anuncia
denunciar - denuncia
reverenciar - reverencia
policiar - policia
E o verbo "incendiar", como fica? Será
que está certa a frase "Você incendia meu coração"?
Vejamos a letra da canção "Você pra mim",
gravada por Fernanda Abreu:
... Um segredo inviolável
de uma paixão inflamável
mas que nunca incendeia
nem em noite de lua cheia...
Essa é a forma correta, "incendeia",
do verbo "incendiar", que não
é regular, não segue a conjugação
padrão. Vamos a mais alguns exemplos de verbos irregulares terminados
em "-iar":
mediar - medeia
ansiar - anseia
remediar - remedeia
incendiar - incendeia
odiar - odeia
Uma maneira de lembrar esses verbos é recorrer ao nome "Mario":
As letras iniciais das cinco palavrinhas formam a palavra "Mario":
"mediar", "ansiar",
"remediar",
"incendiar"
e "odiar". É
um pequeno truque para facilitar a memorização desses
verbos irregulares.
Indicativo
Futuro do presente do indicativo: Expressão de vontade,
desejo
Você sabe o que é uma frase volitiva? Frase volitiva é
aquela que expressa vontade, desejo. A idéia de querer, de desejar,
às vezes vem expressa de uma forma sutil. Veja a letra da canção
"A cura", gravada por Lulu Santos:
Existirá
em todo porto tremulará a velha bandeira
da vida
acenderá
todo o farol iluminará uma ponta de
esperança...
Você notou que a letra traz um tempo verbal, o futuro do presente,
que não se usa muito no dia-a-dia, no Brasil. Não dizemos
"amanhã eu farei", mas antes "amanhã eu
vou fazer". Justamente pelo fato de não ser muito usado,
o futuro do presente reveste-se de um caráter mais formal. A
canção de Lulu tem um valor volitivo. No fundo, o que
o artista está expressando é o desejo de que algumas coisas
aconteçam.
Portanto o futuro, além de todos os seus outros valores, pode
expressar desejo, como pudemos constatar na letra de Lulu Santos.
Uso do pretérito mais-que-perfeito
Todo mundo estudou, na escola primária e no primeiro grau, os
tempos verbais (presente, passado e futuro). O passado, ou pretérito,
se divide em pretérito imperfeito, pretérito perfeito
e pretérito mais-que-perfeito.
Por
que esses nomes?
O
tempo pretérito mais-que-perfeito não tem esse
nome porque é mais perfeito, porque é perfeitíssimo.
Vejamos um exemplo:
Quando o árbitro apitou, a bola já entrara.
Esse "entrara" é o pretérito
mais-que-perfeito. Significa "tinha" ou "havia entrado".
Quando o árbitro apitou ( pretérito perfeito ), a bola
já tinha, já havia entrado, a bola entrara (pretérito
mais-que-perfeito).
O pretérito perfeito indica um momento determinado do passado:"...o
árbitro apitou ...".
O pretérito mais-que-perfeito indica um momento antes do pretérito
perfeito: "... a bola já entrara."
Uma letra de Gilberto Gil ilustra bem o caso desse tempo verbal, "Super-Homem
- A Canção".
... quem dera, pudesse todo homem compreender
Oh! Mãe, quem dera...
Minha porção mulher que até então
se resguardara...
"...tinha, havia se resguardado...". Esse fato é anterior
a outro. Na seqüência, a letra diz "...quem dera...".
"Dera" é, também, pretérito mais-que-perfeito,
usado com outro valor.
É necessário lembrar que os tempos verbais podem ser usados
no lugar de outro, fora de seu uso comum. Ex:
como se fora / como se fosse
"Fora" é pretérito mais-que-perfeito, "fosse"
é imperfeito do subjuntivo.
"Quem dera" é equivalente a "eu gostaria, tomara".
No entanto, ao pé da letra, "dera" é mais-que-perfeito,
mais velho que o perfeito, fato ocorrido antes de outro.
Gerúndio
O gerúndio é uma das formas nominais do verbo. Por que
"formas nominais"? Porque, nessas formas, o verbo pode em
certas situações atuar como nome (substantivo, adjetivo
ou advérbio).
O gerúndio, aquela forma que termina em "-ndo" (falando,
bebendo, partindo, correndo
etc), pode ser usado com valor de adjetivo.
Por exemplo:
água fervendo
(água que ferve)
O gerúndio é usado basicamente para transmitir a idéia
de processo, de algo em curso, de algo que dura. O brasileiro exagera
no uso do gerúndio, talvez por influência da língua
inglesa. Aliás, está na moda uma construção
nada elegante: "O senhor poderia estar enviando um fax para nós
amanhã". Por que não dizer "O senhor pode enviar
um fax para nós amanhã" ? Há exagero nessa
combinação do gerúndio a dois verbos; trata-se
de um cacoete esquisito. Em Portugal não se ouve esse tipo de
construção. O mesmo o gerúndio não é
tão corrente como aqui. Lá, em vez de "Estou correndo",
diz-se "Estou a correr".
Vamos a uma canção de Gonzaguinha, "Explode coração",
em que ele usa o gerúndio de forma extremamente contundente e
interessante:
... Eu quero mais é me abrir
e que essa vida entre assim
como se fosse o sol
desvirginando a madrugada
quero sentir a dor dessa manhã
nascendo, rompendo, rasgando
tomando meu corpo e então
eu chorando, sofrendo
gostando, adorando, gritando
feito louca alucinada e criança
eu quero meu amor se derramando
não dá mais pra segurar
explode coração!.
Você viu na letra da canção os versos "Como
se fosse o sol / Desvirginando a madrugada". Em Portugal seria
"Como se fosse o sol / A desvirginar a madrugada". O gerúndio
sugere processo de execução: o sol durante o processo
de desvirginar. Isso acontece também com os outros verbos no
gerúndio usados por Gonzaguinha: "nascendo",
"rompendo", "rasgando",
"tomando","chorando",
"sofrendo", "gostando",
"adorando", "gritando",
"derramando".
O particípio
"entregue" ou "entregado"
Você lembra o que é particípio? São formas
como "falado", "beijado", "bebido", "esquecido"....
Há verbos, muitos verbos, que têm dois particípios.
Na hora de escolherem entre um e outro, as pessoas comumente ficam em
dúvida. Dois exemplos: o verbo "salvar" tem dois particípios,
"salvo" e "salvado". O verbo "entregar"
também: "entregado" e "entregue".
O "Nossa Língua Portuguesa" foi às ruas perguntar
qual a forma correta :
"Eu havia entregado o pacote" ou "Eu havia entregue o
pacote"?
Das oito pessoas entrevistadas, quatro acertaram: "Eu havia entregado
o pacote". Este é o que as gramáticas chamam de particípio
longo, regular, que termina em "-ado" ou "-ido"
. O particípio longo é usado quando o verbo auxiliar é
"ter" ou "haver". Os particípios curtos,
irregulares, como "salvo" e "entregue", são
usados quando o verbo auxiliar é "ser" ou "estar".
Portanto:
Particípio longo
Eu havia entregado o pacote.
O árbitro tinha expulsado o jogador.
Ele foi condecorado por ter salvado a moça.
Particípio curto
O pacote foi entregue.
O jogador foi expulso.
A moça foi salva, e isso lhe valeu uma condecoração.
Claro que essa regra vale apenas para verbos que têm dois
particípios. Nos verbos com um único particípio,
não há escolha. O verbo "fazer", por exemplo,
tem um só particípio.
Não
se diz "Eu tinha fazido a comida", e sim "eu
tinha feito a comida".
Cuidado com o verbo "chegar": apesar de muitos dizerem "Eu
tinha chego", na língua culta o particípio desse
verbo é "chegado". Em situações formais,
diga e escreva sempre "Eu tinha chegado".
"Cozido" e "cozinhado"
Eu quero te provar sem
medo e sem amor, quero te provar.
Eu quero te provar
cozida a vapor, quero te provar...
Você
notou o uso da palavra "cozida" na letra da canção
"Garota nacional", do Skank. Nos programas de culinária
pela TV, diz-se com freqüência que tal prato foi cozinhado
no vapor. "Cozinhado" é o particípio
de "cozinhar": "O peixe foi cozinhado
a vapor".
Quase não se usa essa forma no dia-a-dia. O que se diz mesmo
é "O peixe foi cozido", com o verbo
"cozer". Mas podemos grafar essa palavra também com
"s", com o sentido de costurar. Temos, portanto, "cozer"
e "coser".
cozer = cozinhar
coser = costurar
cozida = particípio de cozer
cozinhada = particípio de cozinhar
O pessoal do Skank usa "cozida a vapor", com "z".
Corretíssimo. "Cozida", particípio de "cozer".
Portanto "cozida" ou "cozinhada a vapor". Sempre
com "z".
Formação do futuro do subjuntivo
Você lembra que tempo é o futuro do subjuntivo? O texto
abaixo pode ajudá-lo a lembrar.
Se pintar bem produzida
vou ficar muito feliz da vida
nada de saia comprida
vou ficar muito feliz da vida
vou ficar muito feliz da vida.
Se trouxer uma boa comida
vou ficar muito feliz da vida
e a minha bebida preferida
vou ficar muito feliz da vida.
Nesse trecho, retirado de "Feliz da vida", de Edu Nobre, temos
dois exemplos de verbos conjugados no futuro do subjuntivo: "Se
pintar bem produzida..." e "Se trouxer uma boa comida...".
Tanto "pintar" quanto "trouxer"
estão no futuro do subjuntivo.
Mas
há um aspecto importante a ressaltar: o verbo "pintar",
por ser regular, apresenta a mesma forma tanto para o infinitivo quanto
para a primeira e a terceira pessoa do singular do futuro do subjuntivo:
Infinitivo: pintar
1ª p. do sing. do futuro do subj.: se eu pintar
3ª p. do sing. do futuro do subj.: se você pintar
Já o verbo "trazer" é um verbo irregular. Não
se diz "se você trazer", e sim "se você
trouxer".
Como fazer para não cair na armadilha de confundir infinitivo
e futuro? Basta lembrar a origem do futuro do subjuntivo. Pegue a terceira
pessoa do plural do pretérito perfeito, do passado:
Ontem eles fizeram.
Ontem eles viram.
Ontem eles foram.
Ontem eles vieram.
Tire as duas últimas letras, "-am", e pronto: está
formado o começo do futuro do subjuntivo.
trouxeram - am = trouxer
Se eu trouxer
Quando eu trouxer
Se ele trouxer
Quando ele trouxer
Isso vale para todos os verbos.
fizeram - am= fizer
viram - am= vir
foram - am= for
Verbo ser / estar - Seja / Esteja
Muitas pessoas têm dúvida sobre o uso das formas "seja"
e "esteja". Há quem as substitua por "seje"
ou "esteje"... Isso é explicável porque a terminação
"-e" aparece com freqüência no presente do subjuntivo.
Esse é o tempo verbal que usamos em frases como "ela quer
que eu fale...", "não que eu não pense",
"ele quer que eu beba...", "ela quer que eu permita...".
Há um esquema simples que podemos utilizar na conjugação
desse tempo:
Verbos terminados em "ar" - a conjugação
termina em "e".
Verbo falar - "Ela quer que eu fale..."
Verbos
terminados em "er" e "ir"
- a conjugação termina em "a".
Verbo fazer - "Ela quer que eu faça..."
Verbo permitir - "Ela quer que eu permita..."
No
caso de "seja", trata-se do presente do subjuntivo do verbo
"ser". Lulu Santos utilizou a expressão na canção
"Assim Caminha a Humanidade":
Ainda vai levar um tempo
Pra fechar o que feriu por dentro
Natural que seja assim...
O grupo Barão Vermelho também utiliza a expressão
na canção "O Poeta Está Vivo":
Se você não pode ser forte
Seja pelo menos humana...
Nas duas canções a flexão no subjuntivo é
feita corretamente, já que os verbos terminados em "er"
levam a vogal básica "a"
no presente do subjuntivo. Mas e o verbo "estar"? O certo,
pela regra, é que a vogal básica seja "e",
mas isso não acontece. O verbo "estar" é uma
exceção. A frase correta, quando usamos
o verbo "estar" no presente do subjuntivo, é "ela
quer que eu esteja...", e não "esteje..."
Então não esqueça:
Verbo ser - seja
Verbo estar - esteja
"que eu faça", "que
eu fale"
Na linguagem do dia-a-dia no Brasil é comum ouvir frases como
estas:
Você quer que eu compro?
Você quer que eu sirvo?
Você quer que eu faço?
Isso no padrão formal da língua é inaceitável,
e a razão é muito simples. Quando alguém diz "Você
quer que eu...", o ato que vem expresso em seguida, representado
por um verbo, ainda não aconteceu, é hipotético.
Alguém está lhe perguntando se você quer algo e
esse algo depende de você. Portanto o modo aí empregado
é o da dúvida, da suposição, da hipótese,
e é esse o valor do subjuntivo. Logo o correto seria dizer:
Você quer que eu compre?
Você quer que eu sirva?
Você quer que eu faça?
A canção "Pra que discutir com madame", de Haroldo
Barbosa e Janet de Almeida, no programa interpretada por Moraes Moreira
e Pepeu Gomes, ilustra muito bem o bom uso do tempo subjuntivo.
... Madame não gosta que ninguém sambe...
O que se diz é que "madame não gosta que ninguém
sambe" agora ou no futuro, sob qualquer hipótese.
É importante saber que o presente do subjuntivo tem terminações
fixas.
- Para
os verbos que terminam em "ar" ( falar, pensar, sambar,
andar, cantar.), a vogal temática é "e". Portanto
as construções corretas seriam "que eu fale",
"que eu pense", "que eu sambe" etc.
- Para
os verbos terminados em "er" e "ir" ( correr,
beber, dormir, dirigir.), a vogal temática é "a".
Logo deve-se escrever "que eu corra", "que eu beba",
"que eu durma", "que eu dirija" etc.
Observe-se ainda que a vogal temática se mantém em todas
as pessoas, da primeira à última.
que eu sambe
que tu sambes
que ele sambe
que nós sambemos
que vós sambeis
que eles sambem
A exceção fica por conta do verbo "estar", que
termina em "ar", mas faz o presente do subjuntivo com a vogal
temática "a":
"Ela quer que eu esteja" ( nunca "eu esteje" ).
Nesse caso, a vogal temática "a"
permanece até o fim:
que eu esteja
que tu estejas
que ele esteja etc.
Verbos defectivos
"reaver"
Um dos verbos mais difíceis de usar é o verbo
"reaver", que significa possuir outra vez, recuperar.
O "Nossa Língua Portuguesa" foi às ruas fazer
as seguintes perguntas:
"Eu reavi o dinheiro" ou "Eu reouve o dinheiro"?
"Ele reaveu" ou "Ele reouve"?
"Se eu reaver" ou "Se eu reouver"?
"Eles reaveram" ou "Eles reouveram"?
As respostas são absolutamente desencontradas, e o motivo é
simples. O verbo "reaver" é defectivo,
sua conjugação é absolutamente irregular.
O presente do indicativo desse verbo é incompleto,
havendo apenas duas formas: nós reavemos, vós
reaveis. Como as demais formas não existem, é
aconselhável usar sinônimos como o verbo "recuperar".
Já no pretérito perfeito existem todas
as formas (aliás, não existem verbos sem o pretérito
perfeito). Se "reaver" fosse verbo regular, poderíamos
dizer "eu reavi". Como é irregular, apresenta-se assim:
| Eu
reouve |
Nós
reouvemos |
| Tu
reouveste |
Vós
reouvestes |
| Ele
reouve |
Eles
reouveram |
| |
|
A 2ª pessoa do singular do pretérito perfeito gera a raiz
de todos os tempos derivados. Basta tirar as três últimas
letras ( reouveste - "ste" ) para chegar à raiz "reouve".
reouve + "sse" = reouvesse ( Imperfeito do Subjuntivo)
reouve + "ra" = reouvera ( Mais-que-perfeito)
reouve + "r" = reouver ( Futuro do Subjuntivo )
Verbos
pronominais
"orgulhar-se","apaixonar-se", "confraternizar"
O mineiro tem um hábito muito particular em relação
ao verbo com o pronome, o chamado verbo pronominal. Há uma canção
que, apesar de não ser de um mineiro, ilustra o caso: "Cordão",
de Chico Buarque.
... ninguém , ninguém vai me sujeitar
Arrancar do peito a minha paixão
Eu não, eu não vou desesperar...
Não é comum ouvirmos os paulistas dizer "naquele
momento eu desesperei". A construção mais corrente
é "naquele momento eu me desesperei", "desesperei-me".
Os mineiros, no entanto, têm o hábito de "comer"
o pronome oblíquo. Em entrevista, Fernando Brant diz:
"Eu formei em direito, mas advogado eu não sou. Freqüentei
a faculdade, formei ...".
Conforme
o padrão culto da língua, o correto seria "Eu
me formei em direito...".
É bom lembrar que são pronominais os verbos a seguir:
orgulhar-se
apaixonar-se
dignar-se
arrepender-se
queixar-se
Por outro lado, não são pronominais os verbos abaixo,
que, normalmente, são tratados como tal:
confraternizar
simpatizar
É errado dizer "Os atletas se confraternizam". Esse
verbo não é pronominal.
Do mesmo modo, "Eu me simpatizo com ela" não é
bom português.
Não
utilize o pronome quando o verbo não o pedir. Na dúvida,
consulte um bom dicionário e mesmo um dicionário de regência
verbal.
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