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Sexta,
19 de outubro de 2001, 10h51 Notícia retirada do ZERO HORA
O vestibular dos famosos
Veja
como foi o vestibular algumas personalidades famosas e aprenda um pouco
com a experiência de cada uma delas
O segredo do vestibular, definitivamente, não está apenas
no conhecimento dos conteúdos. Além de afiado na matéria,
o candidato precisa estar atento ao seu estado emocional na hora da
prova. Nada fácil para um vestibulando.
Para ajudar os que começam hoje a maratona de provas 2001, o
Caderno Vestibular do Zero Hora, parceiro do Terra, preparou um especial
com gente que já viveu essa experiência e venceu o desafio.
Confira os depoimentos e dicas de algumas personalidades famosas abaixo.
* Zé Victor Castiel – Ator de teatro e
TV. Sua mais recente personagem é Viriato, da novela Laços
de Família, da Rede Globo. Advogado, formou-se pela Pontifícia
Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), em 1982.
Dois anos depois da formatura, decidiu-se pela carreira de ator. Estreou
na peça Rasga Coração, de Oduvaldo Viana Filho.
Atualmente, prepara o espetáculo A Menina dos Meus Olhos, escrito
por Luis Fernando Verissimo.
"Encarei a maratona de provas do vestibular em janeiro de 1977.
Estava muito nervoso e rodei na UFRGS. Na época, havia uma prova
de nível intelectual, um tipo de pegadinha, com tempo marcado.
O candidato tinha de responder direto na folha óptica. Eu marquei
a primeira no lugar errado e aí errei todas.
Havia me preparado muito durante o ano. Tinha 18 anos e lembro que meu
pai me levou todos os dias até a porta. A pressão era
muito grande. Alguns dias depois, mais tranqüilo, fiz as provas
da PUCRS e passei superbem para o curso de Direito.
Vestibular é como o teatro. O artista ensaia o ano inteiro, e
na hora da estréia precisa ficar calmo e mostrar que está
se divertindo. Caso contrário, a platéia vai perceber.
A prova também percebe a ansiedade do candidato e se encarrega
de preparar uma emboscada. Boa sorte a todos!"
Dica: O vestibular é inimigo da ansiedade. É preciso manter
a cabeça fria. O estudante deve ter em mente que o vestibular
é como o Carnaval: tem todo ano. O melhor é encarar o
lado bom do concurso e se divertir com a prova.
* Humberto Gessinger – Vocalista da banda Engenheiros
do Hawaii, uma das mais bem-sucedidas do rock gaúcho –
nove discos de ouro. Em março, para comemorar 15 anos, a banda
lançou o CD 10.000 Destinos. O disco foi gravado ao vivo em um
show no Palace, em São Paulo.
Humberto passou no vestibular em 1981 para o curso de Arquitetura da
Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Começou a
compor e a tocar na faculdade.
"Fiquei muito nervoso e experimentei a famosa ‘sindrome do
pânico’. Passei todas as noites em claro antes do vestibular.
Na hora da prova, era muito engraçado. Lembro da rapidez com
que resolvia as questões. Tinha medo que pudesse acontecer alguma
coisa comigo antes de terminar a prova, como dormir, desmaiar, ou mesmo
o teto cair sobre a minha cabeça. Com isso, resolvi duas vezes
cada uma delas. Fui aprovado para o curso de Arquitetura da UFRGS, em
1981.
Sempre quando falo do meu vestibular lembro de Jonh Lennon. Eu estava
estudando, em dezembro de 1980, quando as músicas dele começaram
a tocar uma atrás da outra no rádio. Desconfiei de alguma
coisa e logo fiquei sabendo da morte do cantor. Meu ritmo de estudo
baixou bastante depois disso. Fiquei ainda mais abalado para o vestibular".
Dica: Os vestibulandos precisam fazer o contrário do que eu fiz.
Dormir bem antes da prova e ficar tranqüilo. A faculdade é
superimportante, mas é só um detalhe. A vida caminha a
passos maiores do que esses eventos. O lance é relaxar. O vestibular
não decide a vida de ninguém. Eu mesmo segui outro rumo.
* Martha Medeiros – Escritora, colunista de Zero
Hora, autora do livro Trem Bala e outros. Foi aprovada em 1979 para
o curso de Publicidade e Propaganda da Pontifícia Universidade
Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS). Formou-se em janeiro de
1983.
"Não lembro de sofrer com o vestibular. Queria muito ser
aprovada para acompanhar meus amigos e seguir o ritmo normal da vida.
Mas tinha consciência de que se não fosse aprovada poderia
tentar novamente, em julho. Fiz as provas da UFRGS em 1979 como um simulão.
Eu queria mesmo era estudar Comunicação Social na PUCRS
e consegui a vaga naquele mesmo ano.
Sempre me esforçei muito. Fazia o terceiro ano durante o dia
e estudava à noite no cursinho. Lembro de que saía nos
finais de semana, mas aproveitava todas as oportunidades do cursinho,
como aulas de revisão e projetos culturais. Eu estava bem preparada
e sabia que a tranqüilidade era fundamental. O único nervoso
que passei foi quando esperava para ouvir o meu nome no rádio.
Foi um alívio. Fui imediatamente para a praia, em férias.
Dica: O importante é saber o seu limite e ir até ele.
Ninguém é o super-homem. Sei que não é fácil,
mas é preciso manter os objetivos e o equilíbrio emocional.
A vida nos encaminha ao natural. O que não pode é entregar
para Deus.
* Maria do Rosário – Deputada estadual
e uma das campeãs de votação na última eleição,
com mais de 76 mil votos. É presidente da Comissão de
Cidadania e Direitos Humanos da Assembléia Legislativa. Passou
no vestibular em 1988 para Ciências Sociais da Universidade Federal
do Rio Grande do Sul (UFRGS). No meio do curso, se transferiu para Pedagogia.
A formatura foi em 1994.
* "Sou do tempo do Provão da UFRGS. Era uma prova preliminar
que eliminava muita gente. Eu passei na segunda tentativa para Ciências
Sociais. Foi em 1988, e fiquei entre os primeiros classificados. Na
época, eu trabalhava durante o dia dando aulas para crianças
e não tinha tempo para fazer cursinho. Queria muito passar, mas
também estava empolgada com o magistério. Acho que fui
aprovada porque não me sentia obrigada a entrar para a faculdade
naquele ano.
Lembro muito dos ônibus lotados durante as provas. Não
tinha quem me levasse de carro e precisava me virar sozinha. Acordava
supercedo e chegava sempre correndo aos locais de prova. Minha mãe
conferia os gabaritos e me dava muito apoio. Foi importante para mim
esse acompanhamento. Eu ia confiante para a prova do dia seguinte. Ver
meu nome no listão foi uma vitória muito batalhada.
Dica: As pessoas são muito severas consigo mesmas. Acho que todos
deviam se dar um tempo para passar no vestibular. O importante é
manter a determinação e a tranqüilidade. A meta pode
ser cumprida agora ou no próximo ano. A experiência é
muito legal.
* Jorge Furtado – Autor de "Ilha das Flores"
(1989), considerado um dos 10 melhores documentários brasileiros,
e "Esta Não É a Sua Vida" (1991), além
de filmes e programas de TV. Jorge integra a equipe de diretores e roteiristas
da Rede Globo. Foi aprovado para os cursos de Medicina e Psicologia
da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), em 1976. Cursou
quatro anos e meio o primeiro, e dois meses, o segundo. Em 1979, prestou
novamente vestibular para Artes Plásticas e, em 1980, para Jornalismo
na UFRGS. Aprovado nas duas opções, cursou boa parte dos
currículos.
"Não estava bem no colégio em 1976. Peguei dependência
em química e física no terceiro ano, e precisei estudar
muito para não rodar. Isso acabou me ajudando no primeiro vestibular.
Outra vantagem é que sempre li muito e fui bem na prova de literatura.
Na época, havia uma prova chamada nível intelectual. Era
quase um teste psicotécnico. Tínhamos 50 minutos para
responder cem questões. Eu tirei o primeiro lugar, com 98 acertos.
Fui aprovado para Medicina e Psicologia naquele ano na UFRGS.
Com 17 anos é difícil fazer uma escolha. O adolescente
não quer ficar parado e aí acha que precisa definir a
vida. Eu fiz quatro vestibulares. É muito chato ter de acordar
com despertador, mas sempre vale a pena. O que aprendi na Medicina e
no Jornalismo, por exemplo, foi muito utilizado no meu trabalho.
Dica: O hábito da leitura ajuda não só a escrever
e a raciocinar melhor, mas a entender as perguntas com facilidade. O
vestibulando deve pensar que as escolhas não são definitivas
e ficar tranqüilo. Além disso, o bar é o melhor lugar
da faculdade.
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