MELHORES CONTOS

Contos de Osman Lins relançados
Colentânea reúne textos dos livros Os Gestos e Nove, Novena


Ivana Moura
Da equipe do DIARIO


O processo de redescoberta de um escritor passa por uma espécie de conjugação de esforços, estudos e paixões literárias. A obra do contista, dramaturgo, romancista e roteirista pernambucano Osman Lins (1924-1978) é reverenciada pela academia, com dissertações e teses espalhadas pelo Brasil. Um quarto de século após sua morte, o interesse por seus textos se multiplicam também fora das universidades, com sinalização de que vai conquistar um público mais diversificado. Com muitos títulos esgotados, os relançamentos são festejados por quem já conhece o universo ficcional do pernambucano, na expectativa de que o Brasil passe também a admirá-lo. Ficou com a professora Sandra Nitrini, da Universidade de São Paulo, a tarefa de selecionar os melhores contos de Osman Lins, que a Global editora está lançando. Inclusive a edição foi adotada para o período 2003/2004 pelo Departamento de Estudos de Países de Língua Portuguesa pela Universidade de Paris. Nitrini assina o prefácio da peça Lisbela e o Prisioneiro, que a editora Planeta Brasil relança na expectativa de sucesso do filme homônimo de Guel Arraes.

A professora Sandra Nitrini começou a estudar a obra de Osman Lins em 1972, na França, onde defendeu mestrado sobre o Retábulo de Santa Joana Carolina e prosseguiu com o doutorado sobre Nove Novena e novo romance francês na USP. Atualmente é responsável pela organização do arquivo do escritor no Instituto de Estudos Brasileiros da USP. E planeja para o segundo semestre de 2004 um Colóquio Internacional Osman Lins no IEB, na mesma época da inauguração do arquivo. Seu trabalho incansável é para reverter a recepção pouco calorosa, inclusive nos meios intelectuais.

Para Lins "o ato de escrever é fruto de um trabalho insistente com a palavra para atingir a perfeição". E como a verdadeira arte precisa de tempo, esse artesão da palavra consumiu uma década para chegar ao formato final dos treze contos do livro Os Gestos, lançado em 1957.

A edição dos Melhores Contos congrega textos de Os Gestos e Nove,Novena. Nascido em Vitória de Santo Antão, Lins não incorporou a tradição ficcional regionalista, sendo Lisbela e o Prisioneiro o exercício dramatúrgico que carrega no sotaque nordestino. Fazem parte da coletânea Os Gestos, Reencontro, A Partida, Cadeira de Balanço, O Vitral e Elegíada (de Os Gestos) e Os Confundidos, Conto barroco Ou Unidade Tripartida, Pentágono de Hahn, O Pássaro Transparente, Pastoral e Retábulo de Santa Joana Carolina (de Nove, Novena).

Entre suas personagens estão figuras que estão no limite, que situam-se no entre-lugar ou o que poderíamos chamar de excluídos. Seus livros entrelaçam narrativas paralelas e lançam mão de símbolos gráficos que permitem ainda mais interpretações. A incomunicabilidade das personagens está presente em muitos textos. O protagonista de Os Gestos , por exemplo, o velho André, está fisicamente enclausurado, encarando a impossibilidade das palavras e ambigüidade dos gestos incompreendidos. A obra de Lins está impregnada da poesia. E o que seja feito para conquistar mais um leitor para Osman é louvável.

Ano que vem, o escritor completaria 80 anos e estão programadas diversas homenagens. Lins também é o centro das celebrações deste ano do Festival Recife do Teatro Nacional, promovido pela Prefeitura do Recife em novembro. Já o Centro de Formação Apolo-Hermilo promove em outubro a encenação de três peças curtas de Osman - Mistério das Figuras de Barro, Auto do Salão do Automóvel e Romance dos Dois Soldados de Herodes.

Serviço

Melhores contos
de Osman Lins
Seleção: Sandra Nitrini
Preço: R$ 32,00

Recomendo que vocês adquiram o livro e façam uma boa leitura. ( Alcioneide Oliveira)

 
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