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Letra A
Abreviaturas: como abreviar as palavras?
Muitas vezes precisamos abreviar as palavras por economia de
tempo ou de espaço. A regra geral para abreviatura das
palavras é simples. Basta escrever a primeira sílaba
e a primeira letra da segunda sílaba, seguidas de ponto
abreviativo. Caso a primeira letra da segunda sílaba
seja vogal, escreve-se até a consoante.
Exemplos: fut. (futuro), adj. (adjetivo), gram. (gramática),
num. (numeral), al. (alemão), subst. (substantivo).
Se a palavra tiver acento gráfico, este será conservado
se cair na primeira sílaba.
Exemplos: núm. (número), gên. (gênero),
créd. (crédito), déb. (débito),
lóg. (lógica), méd. (médico).
Se a segunda sílaba iniciar por duas consoantes, as duas
farão parte da abreviatura.
Exemplos: pess. (pessoa), constr. (construção),
secr. (secretário), diss. (dissílabo).
Algumas palavras não seguem a regra geral para abreviatura.
Exemplos: a.C. ou A.C. (antes de Cristo), ap. ou apto. (apartamento),
bel. (bacharel), btl. (batalhão), cel. (coronel), Cia.
(Companhia), cx. (caixa), D. ( digno, Dom, Dona), f. ou fl.
ou fol. (folha), ib. ou ibid. (ilidem, da mesma forma), id.
(idem, o mesmo), i.é. (isto é), Limo. (Ilustríssimo),
Ltda. (Limitada), M.D. (Muito Digno), p. ou pág. (página),
pp. págs. (páginas), pg. (pago), p.p. (próximo
passado), P.S. (pós escrito = escrito depois), Q.G. (Quartel
General), rem. ou remte. (remetente), S.A. (Sociedade Anônima),
sv. (serviço), S.O.S. (Save Our Souls = salvai nossas
almas), u.i. (uso interno), U.S.A. (Unitid States of America
= Estados Unidos), vv. (versos, versículos).
Os gramáticos tradicionais não admitem flexão
em abreviaturas, como: profª (professora), págs.
(páginas). É bom lembrar que na flexão
de gênero, não aparece a desinência “o”,
indicativa do masculino nas abreviaturas, como: prof. profª.
Está errado grafar o masculino assim: profº.
Nas abreviaturas de caráter internacional, não
se põe o ponto abreviativo: h, kg, km, kw, l.
Nunca corte a palavra numa vogal, sempre numa consoante. Exemplo:
departamento = dep., nunca depa.)
A abreviatura deve ter metade ou menos da metade da palavra
original, do contrário, será melhor escrever a
palavra por extenso.
Não se deve usar abusivamente abreviaturas em provas,
trabalhos, artigos ou redações, só em anotações
de uso pessoal.
No caderno Classificados da Folha da Região, o uso da
abreviatura é uma constante porque o cliente quer economizar
espaço para pagar menos.
Abreviatura - ponto
No período: “O professor respondeu a Pedro Marcolino
Jr.” não há a necessidade de repetir a pontuação.
O ponto da abreviatura serve para indicar o final do período
também.
Abreviatura de numeral
COMO? 1,5 MILHÃO DE REAIS?
Quando abreviamos R$ 1.500.000,00 para 1,5 milhão de
reais, a casa do milhão é a que fica antes da
vírgula. Observe mais exemplos: 2,1 milhões =
dois milhões e cem mil; 1,3 bilhão = um bilhão
e trezentos milhões; 4,1 bilhões = quatro bilhões
e cem milhões.
Abreviatura de ordinal
Pedro Aleixo Filho, ex-colega de Folha da Região, tem
uma nova pergunta. Na indicação de primeiro, primeira,
segundo, segunda deve-se utilizar o algarismo, tendo, ao lado,
um ponto encimado pelas letrasá o ou a sobrescritas ou
utiliza-se apenas as letras? Ex.: 1.º e 1.ª ou 1º
e 1ª?
Usar a última forma (sem o ponto) parece indicação
de grau de temperatura na escala Celsius. Ex.: 1º (um grau),
32º (trinta e dois graus), 0º (zero grau), - 4º
(menos quatro graus, quatro graus negativos ou quatro graus
abaixo de zero).
É, também, errado colocar um tracinho (-) ou
dois (=) abaixo das letras a e o sobrescritas (ª e º).
Certo?
Resposta: o Pedro perguntou, mas já tinha a resposta
na ponta da língua, pois conheço o seu zelo pelo
português culto. O único reparo que faço
é colocar C depois do ozinho para indicar centígrados:
32º C.
Abreviatura de professor
A abreviatura da palavra professor não tem "o"
como há em professora (prof.ª). Ninguém abrevia
doutor como "dr.º". Doutora, sim, "dr.ª".
À custa de / às
custas de
Como afirma o professor Sérgio Nogueira, embora muito
usada no plural, a locução prepositiva correta
é "à custa de". É importante
lembrar que as locuções prepositivas de base feminina
devem receber o acento da crase: à custa de, à
mercê de, à base de, à procura de, à
moda de...
A gente e agente
a) A gente = nós; o povo, as pessoas. Exemplo:
Nós vamos à praia este fim de semana. (Forma mais
culta.)
A gente vai à praia este fim de semana. (Forma mais popular.)
b) Agente = indivíduo encarregado, responsável
por determinada ação: aquele que age. Agente possui
também outros significados. Exemplo:
Meu pai é agente de viagens da Varig.
A gente ou nós?
Se você estiver num contexto formal, que exige a gramática
tradicional, não há dúvida de que nós
é palavra mais adequada; no entanto, nada impedirá
a utilização de a gente num ambiente descontraído
e informal. Cabe lembrar-se, apenas, de que a concordância
verbal deve prevalecer sempre: use nós com o verbo na
1ª pessoa do plural; use a gente com o verbo na 3ª
pessoa do singular. Nunca use: a gente fomos.
Aids ou aids?
Como Aids é uma sigla, a inicial deve ser maiúscula.
O Brasil adotou a sigla inglesa, em português ou espanhol
seria Sida (adotada pela Argentina). Acho que foi interferência
de Nossa Senhora Aparecida... a nossa Cida querida. Não
ia ficar bem dizer que o fulano morreu de Sida.
Alfabeto - letras k, w, y
Por excesso de nacionalismo, tais letras não são
consideradas de nosso alfabeto, embora o Brasil seja povoado
de pessoas com sobrenomes estrangeiros. Elas aparecem apenas
em casos especiais. A palavra whisky contém os três
exemplos. Aportuguesando a palavra, tem-se uísque. A
letra K deu lugar a QU; W, a U; e Y, a I.
Mas as letras K, W e Y aparecem em alguns
casos, como:
a) abreviaturas internacionais: kg (quilograma), km (quilômetro),
kWh (quilowatt-hora), W (watt), WC (water closet - banheiro)
b) nas palavras estrangeiras: marketing, walkman, lobby
c) nas palavras derivadas de nomes estrangeiros: kantismo,
wagneriano, byroniano
d) As palavras derivadas de nomes estrangeiros comuns devem
ser aportuguesadas: marqueteiro, lobista
Os nomes escritos com tais letras não seguem as regras
de acentuação de nosso idioma. Exemplos: Válter
(com acento) Walter (sem acento), Vágner (com acento),
Wagner (sem acento), Cátia (com acento), Katia (sem acento).
Alerta
Alerta: sentinelas, alerta! (invariável, interjeição).
"Todos os sentidos alerta funcionam" (advérbio
- invariável)
Os gansos deram o alerta (substantivo - variável).
As autoridades sanitárias estão alertas (adjetivo,
variável).
Há gramáticos que tratam essa palavra apenas
como advérbio, invariável.
Alto-falante
Carlos Munhoz quer saber por que "alto-falante", se
tal peça fica no carro, na caixa. E, às vezes,
o som fica baixinho, conforme a vontade do usuário.
O alto de alto-falante se deve à ampliação
da voz. Também à altura onde eram postas as cornetas.
Quem tem mais idade, como eu, conheceu o serviço de alto-falante
das cidades. Geralmente, havia um poste e lá em cima
ficavam as caixas para que toda a cidade ouvisse os recados
e músicas. Auto não dá, pois ele não
fala por si mesmo.
Ambos - emprego
O numeral "ambos", que é o único "dual"
em português, pode ser reforçado em "ambos
os dois", "ambos de dois", "ambos e dois",
"ambos a dois", "a dois ambos".
Exemplos: "O certo é que ambos os dois monges caminhavam
juntos." (Herculano)
"Ambos estes dois instrumentos." (Vieira)
"Nós viemos praticando ambos de dous." (Antônio
Prestes)
"De ambos de dois a fronte coroada/ Ramos não conhecidos
e ervas tinha." (Camões).
Modernamente, porém, vem se evitando o emprego pleonástico
de "ambos os dois", embora seja correto. (Rocha Lima,
Gramática Normativa da Língua Portuguesa.)
Anexo
Em anexo (locução adverbial) - invariável.
Exemplos: Os arquivos seguem em anexo. As pastas seguem em anexo.
Anexo (adjetivo) - variável (gênero e número).
Exemplos: Os arquivos seguem anexos. As pastas seguem anexas.
A nível de?
(Veja também o artigo "A
nível de causa polêmica")
Jô Soares condena o uso da expressão "a nível
de", mas nunca explicou o motivo da condenação.
Não que eu tenha o hábito de utilizá-la,
mas é realmente incorreto o seu emprego? (Leitor desta
coluna). Transformei a dúvida dele em teste da semana.
Resposta: A nível de tornou-se uma muleta, ou seja, expressão
dispensável, desnecessária. Veja os exemplos:
"Decisão a nível de diretoria". Não
fica melhor dizer (ou escrever) "Decisão de diretoria"?
"O clube está fazendo contratações
a nível de futuro". Não ficaria mais elegante
escrever: "O clube está fazendo contratações
para o futuro"?
Em determinadas situações, podem ser usadas as
locuções no plano (de) ou em termos de. Ou no
nível de / em nível de, uma vez que "nível"
rejeita o "a" sozinho. Exemplos: O grupo elevou a
entidade ao nível primeiro mundista (a nível primeiro-mundista
- não seria a expressão mais correta)
Existe também ao nível de, mas apenas com o significado
de à mesma altura: ao nível do mar. (Manual do
Esstadão)
Ano novo/ ano-novo
“Feliz ano novo!” – sem hífen, pois
a pessoa está desejando-lhe todas as felicidades do mundo
no ano que se inicia. “Para o Natal e para o ano-novo,
o supermercado Y tem as melhores ofertas.” – com
hífen, pois é a festa. Em ambos os casos, letra
minúscula.
Anos sessentas
Qual é o erro desta frase?
“Durante uma hora ele falou, emocionado, sobre sua juventude
nos anos sessenta.”
A resposta certa: Durante uma hora ele falou, emocionado, sobre
sua juventude nos anos sessentas.
Diz-se duas canetas ou duas caneta? A primeira, claro!
Cuidado para não confundir “numeral” com
“substantivo”.
Numerais : quarenta anos, setenta anos, noventa anos. Substantivos
: anos quarentas, anos noventas, anos noventas. Os anos setentas
são: 70, 71, 72, 73, 74, 75, 76, 77, 78 e 79. Vários
setentas! Há quem defenda o singular, pois alega que
sessenta é um substantivo com função de
adjetivo, que estabelece o tipo ou categoria, como em banana-maçã,
bananas-maçã. A tendência atual é
pluralizar: anos sessentas.
Os estudantes antigamente faziam a prova dos noves na escola?
O número 5555 é formado por quatro cincos; o número
777, por três setes. E o número 111? Mesmo raciocínio:
formado por três uns.
Ansiar (verbos
terminados em -iar)
MEDIAR, ANSIAR, REMEDIAR, INCENDIAR e ODIAR, cujas letras iniciais
foram o nome MÁRIO, são irregulares na conjungação
porque ganham o I transformado em EI nas formas rizotônicas
(acento tônico recai no radical) nas três primeiras
pessoas do singular e na terceira pessoa do plural do presente
do indicativo e do presente subjuntivo. Exemplo: odeia, odeias,
odeia, odiamos, odiais, odeiam/ odeie, odeies, odeie, odiemos,
odieis, odeiem.
Os outros verbos terminados em -iar são regulares. Exemplos:
afio, aprecio, chio, crio, esquio, guio, mio, premio, principio
e outros. A exceção é MOBILIAR, nele as
formas rizotônicas (sílaba tônica no radical)
têm acento tônico na sílaba BI (conseqüente
acento gráfico) e não na LI: mobílio, mobílias,
mobília, mobiliamos, mobiliais, mobíliam/ mobílie,
mobílies, mobílie, mobiliemos, mobilieis, mobíliem.
Antártica ou Antártida
Esse assunto é polêmico.
Luiz Antonio Sacconi afirma que a região gelada chama-se
Antártica, que é oposta ao Ártico.
Eduardo Martins no Manual de Redação do Estadão;
Domingos Paschoal Cegalla em seu Dicionário de Dificuldades
da Língua Portuguesa possuem outra posição:
Antártida - nome da região
Antártico, antártica: adjetivo. Exemplo: continente
antártico, aves antárticas.
Os dois últimos são mais lógicos.
Antraz ou carbúnculo?
O nome antraz está nas primeiras páginas dos jornais,
mas para os médicos o nome utilizado para designar a
doença causada pela bactéria Bacillus anthracis
é carbúnculo.
Antraz, segundo o médico professor Sebastião
A. Prado Sampaio, 82 anos, médico e professor emérito
de dermatologia da Faculdade de Medicina da USP, em artigo publicado
na FSP de 18/10/2001, é uma outra moléstia, provocada
por estafilococos e que está associada a furúnculos.
Nossos dicionários (Aurélio e Houaiss) de língua
portuguesa não trazem antraz como sinônimo de carbúnculo,
mas dizem que a doença é provocada pelo Bacillus
anthracis. Isso não acontecia no Aurélio nas edições
anteriores. Na edição "Século XXI"
a equipe adotou a versão inglesa. Já o Michaelis
usa antraz como sinônimo de carbúnculo.
Em inglês, as palavras que designam as duas doenças
são as mesmas que em português, mas com o sentido
trocado: ou seja, carbúnculo é "anthrax"
e antraz é "carbuncle".
O “Webster's Enciclopedic Dictionary of English Language
(1994)” confunde mais ao dizer que "anthrax"
é um "malignant carbuncle", o que equivale
a dizer, em português, que carbúnculo é
um antraz maligno.
Sebastião A. Prado Sampaio, termina seu artigo, dizendo:
“Seria importante também que o ministro da Saúde
fosse informado de que antraz, em português, é
um grupo de furúnculos, uma infecção estafilocócica,
e que fosse esclarecido para a população: o "anthrax",
em inglês, é o carbúnculo, em português”.
Tal missão será difícil diante da massificação
da mídia sobre a palavra antraz. Fica aqui a colaboração
deste site. Se os professores de Português tiverem a consciência
desse fato, já é uma vitória.
O site português http://www.ciberduvidas.com/ discute
amplamente o assunto, pois tanto no Brasil como em Portugal,
o engano está sendo cometido.
Pena que não seja essa polêmica acadêmica
que eliminará a insanidade da guerra biológica.
Ao encontro de/ de encontro a
Há muita gente que faz confusão ao empregar as
duas expressões acima. Veja a diferença:
Os governantes deveriam ir "ao encontro das" necessidades
do povo. (Indica conformidade, acordo.)
A reeleição vem "de encontro às"
expectativas de Maluf. (Indica oposição, conflito.)
A persistirem/ ao persistirem
"A persistirem os sintomas, procure orientação
médica."
"Ao persistirem os sintomas, procure orientação
médica."
As duas formas aparecem em propagandas de medicamentos na tevê.
Qual é a correta? Quem fez a pergunta foi João
Batagelo, radialista (Rádio Tietê, Araçatuba).
Há duas estruturas diferentes, e deve-se optar entre
elas com base no que pretende dizer. "A persistirem os
sintomas..." é uma estrutura condicional; equivale
a "se persistirem os sintomas...".
"Ao persistirem os sintomas" é temporal; equivale
a "quando persistirem os sintomas".
Nessa frase do Ministério da Saúde, o significado
implícito é "se os sintomas persistirem",
embora o nexo temporal também seja possível.
Conclusão: as duas formas estão corretas, mas
muitos gramáticos só admitem a frase na condicional:
"A persistirem os sintomas...".
Apagão ou blecaute?
A duas palavras são de origem estrangeira e têm
como definição a falta total de energia elétrica
numa cidade ou região.
Apagão não é encontrada nos dicionários,
já blecaute é registrada por Aurélio e
Michaelis. Isso não quer dizer que esteja errado empregá-la,
é um neologismo legítimo, que foi adaptado ao
nosso sistema ortográfico.
Entre blecaute e apagão, prefiro a última, pois
advém de uma língua também latina, o espanhol.
Segundo Eduardo Martins, que escreve “De palavra em palavra”
no suplemento infantil Estadinho, apagão não é
o aumentativo de nenhuma palavra do nosso idioma, mas o aportuguesamento
do termo espanhol “apagón”.
O vocábulo era usado na América Central para designar
o material que não queimava com facilidade ou o charuto
difícil de acender. Por extensão, passou a ser
sinôni-mo de escurecimento total.
A forma apagão chegou ao Brasil por causa dos ataques
de grupos guerrilheiros americanos. Esses atos terroristas deixavam
regiões às escuras pela destruição
de usinas ou redes de transmissão de energia.
Blecaute. Outra palavra estrangeira, adaptada, do inglês
“blackout”. O blecaute pode ser uma falta de energia
repentina, causada por pane na rede elétrica, ou uma
ação planejada. Durante as guerras, apagam-se
as luzes ( blecaute) para evitar incursões de aviões
inimigos.
A princípio / em princípio
Segundo Domingos Paschoal Cegalla em seu "Dicionário
de Dificuldades da Língua Portuguesa", as duas locuções
são empregadas, mas cada uma tem seu significado.
Em princípio: significa em tese, teoricamente, antes
de qualquer consideração. Exemplo: "Em princípio,
sua proposta nos interessa, mas só a direção
da empresa é que pode aceitá-la".
A princípio: significa no começo, inicialmente.
Exemplo: "A princípio, tudo parecia um mar de rosas,
mas não tardaram a surgir dificuldades".
A priori / a posteriori
"A priori", expressão latina, significa anterior
à experiência, anterior à verificação
experimental. E tem como antônima outra expressão
latina: "a posteriori" que significa conhecimento,
afirmação, verdade provenientes da experiência,
ou que dela dependem. Na verdade, há uma banalização
das duas expressões como se fossem sinônimas de
"antes" e "depois". Tomar cuidado.
Ar condicionado/ ar-condicionado
Sem hífen é o próprio ar, cuja temperatura
foi alterada para quente ou fria. Exemplo: O ar condicionado
lhe fez mal. Com hífen, designa o aparelho: Vende-se
um ar-condicionado. Ou seja, um condicionador de ar.
Arroba
Qual é o sentido do símbolo @, usado nos endereços
eletrônicos?
Resposta: A palavra arroba vem do árabe «ar-ruba»
e quer dizer 15 kg, tem como antiga abreviatura@, portanto o
símbolo existe antes do computador. A informação
está na Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira.
O Dicionário Aurélio afirma que a palavra tem
origem grega, mas há quem
diga que ela vem mesmo da Espanha.
Veja o que diz o internauta José Carlos Nellis, araçatubense,
mas mora há muito nos Estados Unidos: "De acordo
com o famoso Merriam Webster's Collegiate Dictionary, 10ª
edição, usado em todas universidades aqui nos
EUA, a verdadeira origem de @ "arroba" vem do antigo
espanhol e
português, e é também usado no francês,
mas não indica que vem do árabe.
O gramático Adriano da Gama Kury também afirma
que "arroba" é uma palavra de origem árabe.
A influência dos mouros no português e no espanhol
é contemporânea do latim. Como o dicionário
do José Carlos é de inglês, não tem
compromisso etimológico mais profundo com nossa língua.
Não encontrei uma explicação clara do motivo
de tal símbolo ser transferido tal e qual para a informática.
Nos endereços eletrônicos, ele está no lugar
de "em", que pode ser traduzido assim:
em qualquer lugar.
Recebi do leitor Luís Ibanhez a seguinte explicação:
O símbolo @ na informática é por que na
língua inglesa ele significa AT, que traduzido significa
EM. Então o nome está @: em algum provedor.
Artes plásticas
Quando se fala em artes plásticas, a pessoa se lembra
do plástico e fica a imaginar a relação
existente entre uma pintura artística e uma sacola plástica
do supermercado. Artes quer dizer a expressão da atividade
criadora. Plástico significa aquilo que tem propriedade
de adquirir determinadas formas sensíveis, por efeito
de uma ação exterior. Artes plásticas,
portanto, envolvem cores, formas, linhas, volumes. Chama-se
de artes plásticas a pintura, escultura, desenho, gravura
e colagem.
Ascendência/descendência
Pergunta de leitora.
"Em uma conversa com um colega, perguntei-lhe:
1 - Você é descendente de árabes?
Ele, em tom de correção respondeu:
2 - Sou de ascendência árabe, descendentes serão
meus filhos.
Quero saber se foi devida a correção.
Resposta: Veja os verbetes no Aurélio. "Ascendente:
pessoa de quem se descende; antepassado, ancestre. Diversas
famílias de Santa Catarina têm ascendentes alemães.
Descendente: pessoa que descende de outra, ou de um povo".
Analisando o seu caso. Seu amigo está certo quando disse
que tem ascendência árabe e que os filhos dele
é que são descendentes, mas ele não se
posicionou, porque é descendente em relação
aos antepassados dele e ascendente sob o ponto de vista dos
filhos dele.
Você está certa, e ele não errou, apenas
se excluiu marotamente da frase.
Aspas- emprego
Recorremos ao livro “A Pontuação Hoje”
, de Odacir Beltrão, para dar ao leitor um estudo detalhado
do emprego das aspas. Há dois tipos de aspas:
Simples: feita com o sinal do apóstrofo (');
Duplas: (")
Quando se aplicam as aspas
1. Em transcrições ou citações:
O político Maurício Cardoso disse certa vez: "Uma
hipótese é uma coisa que é e não
é, mas que a gente gostaria que fosse só para
ver como ela é, caso fosse". (Maurício Cardoso)
O ponto final vai após as aspas, encerrando o período.
Já no exemplo:
"A diferença que existe entre convicção
e preconceito está em que podemos discorrer sobre uma
convicção sem nos zangarmos."
O ponto final está compreendido pelas aspas, portanto
vai antes delas. Igual orientação vale para os
parênteses.
Em textos digitados, o itálico ou negrito substitui as
aspas.
2. Há aspas simples quando uma citação
está contida noutra: "Nos velhos tempos, ’escrever
em papel grosso, em meia folha, era só para gente ordi-nária
ou sem criação'; os tempos mudaram."
3. Em palavras estrangeiras, expressões latinas, palavras
grafadas errada-mente, neologismos e gíria ainda não
incorporada ao vocabulário: Ela es-creveu "nóis"
por nós.
"Pô!" é uma nova interjeição.
Gosto dos "magrinhos". Ele funcionou como escrivão
"ad hoc". As crianças ficaram no "playground".
A tendência moderna é usar o itálico em
vez de aspas. Mesmo os termos ou expressões latinos,
no original, enquadram-se nesta regra: sui generis
Os termos estrangeiros já incorporados não precisam
nem de um nem de outro. Exemplo: show, marketing.
4. Não existe motivo convincente para que se coloque
entre as aspas apeli-dos, quando forem simples apostos:
Josefa Ramos, conhecida por Fafá.
É correto aspear ou pôr entre parênteses
o apelido:
Lynette "Squeaky" Fromme tentou matar o presidente.
Lupicínio (Lúpi) Rodrigues, compositor.
5. Não se põem aspas em alcunhas das páginas
policias ou locuções subs-tantivas próprias,
tais como: Foi detido ontem Mário Rodrigues Quintana,
vulgo Bodão. Abril se inicia com a Semana Santa.
6. Aspas e destaque são coisas diferentes. Quando se
quer dar destaque a uma palavra, é melhor pô-la
em negrito ou itálico.
7. O uso das aspas é justificado quando indica ironia
ou malícia: Falei ao "professor" Fulano. O
tesoureiro pagou "por engano" o serviço do
cunhado.
8. Põem-se aspas em títulos de artigo de jornal,
crônica, de revista, capí-tulo de livro etc. Ou
em itálico (ou negrito) em texto digitado: A crônica
"Fabricante de Mães" está na “Folha
da Região”.
9. Para suprir a repetição de palavras:
2 caixas de clipe.
5 " de caneta.
10. Aspeiam-se as referências a elementos de textos ordenados
ou articula-dos: No exemplo "a" o redator empregou
aspas erroneamente ao escrever "BEM FALANTE", já
que as palavras estão em caracteres maiúsculos.
Não devemos grifar nem aspear os exemplos: Vamos pingar
os pontos nos ii.
Escreva direitinho, com todos os efes e erres.
11. Na redação oficial, em transcrições
com mais de um parágrafo, aspei-am-se o começo
de cada parágrafo e o final do último.
l2. Não abuse das aspas para destaque. O efeito pode
ser outro, porque o texto se transformará num verdadeiro
matagal de aspas, anulando o objeti-vo pretendido.
Aspecto verbal
O aspecto verbal exprime a ação verbal no seu
início, no seu desfecho, no seu curso, num de seus instantes,
na sua freqüência.
O aspecto pode ser:
pontual: indicando que o processo foi instantâneo (disse,
olhei);
cursivo ou durativo: em que se vê a ação
em seu desenvolvimento (ia dizendo, estava olhando);
conclusivo: o processo é visto em seu fim, como concluso
e com um resultado (leu, trabalhou);
permansivo: o processo está concluso e com um resultado
permanente (caiu, sabe, aprendeu);
incoativo ou inceptivo: em que o processo verbal é visto
em seu começo (amanhecer, partir);
interativo ou freqüentativo: se exprime uma série
de processos repetidos (voejar, saltitar, tenho falado, bate
que bate).
O aspecto pode ser expresso por sufixos:
- ecer, asp. incoativo,
-ejar, -itar, asp. iterativo,
por um verbo auxiliar – começar a, entrar a, asp.
inceptivo ou incoativo
pelo tempo verbal – o pretérito imperfeito é
de asp. cursivo, ao passo que o perfeito é conclusivo
pela própria significação do radical –
cair é pontual, partir é incoativo, chegar é
conclusivo, andar é cursivo, saber é permansivo.
O presente do indicativo é usado para o momento que se
fala, mas ele pode ser empregado no lugar no pretérito
perfeito, chamado presente histórico. Neste caso, a consulta
do “Pelé”, as duas alternativas estão
corretas.
Assentamento
Esta Folha noticiou que o município de Lourdes-SP assentou
15 famílias em terras arrendadas pela prefeitura.. Os
assentados irão plantar e colher, evitando assim o desemprego.
Leitor perguntou-me por telefone se assentar/assentamento não
trazem no sentido a noção de definitivo, já
que a per-manência as 15 famílias seria provisória.
O verbo assentar tem várias acepções; no
caso, significa “instalar”, que pode ser por certo
tempo.
Na verdade, os termos “assentar/assentamento” ganharam
ultimamente conotação política, pois são
empregados pelo INCRA (Instituto Nacional de Colonização
e Reforma Agrária) e pelo MST (Movimento dos Trabalhado-res
sem Terra). Daí, talvez, venha a dúvida do leitor.
Asterisco e número
Primitivamente só era usado o asterisco a fim de chamar
a atenção do leitor para alguma nota colocada
em rodapé na página. Por ter o aspecto de pequena
estrela (*), ele recebeu o nome popular de estrelinhas e pode
vir isolado, seguido de parênteses fechado ou entre parênteses:
* ou *) ou (*).
Atualmente surgiu o emprego de número para substituir
os asteriscos, nas chamadas de rodapé ou no fim do escrito
(artigo, tese, livro e outros).
Exemplo: Mark Twain (*) foi dos primeiros compradores de máquina
de escrever. Consta que seu romance "Tom Saywer" foi
o primeiro livro cujos originais chegaram datilografados ao
editor.
-----------------------------------------------------------------------
* Mark Twain, famoso escritor norte-americano.
Exemplo: Mark Twain (1) foi dos primeiros compradores de máquina
de escrever. Consta que seu romance "Tom Saywer" foi
o primeiro livro cujos originais chegaram datilografos ao editor.
----------------------------------------------------------------------
1. Mark Twain, famoso escritor norte-americano.
Ateu e agnóstico
É um assunto de filosofia. De modo grosseiro, pode-se
dizer que, enquanto o ateu nega a existência de Deus,
o agnóstico (de agnosticismo) considera-se incapaz de
atingir um conhecimento absoluto sobre fenômenos como
a origem da vida.
À-toa / à toa
À-toa é adjetivo (invariável) vem com hífen
e exige crase. Significa impensado, inútil, fácil,
desprezível, insignificante. Exemplos:
Eram comentários à-toa.
Mas que sujeito à-toa!
Essa é uma afirmação à-toa.
Tal adjetivo originou-se da locução adverbial
"à toa", inicialmente usada na linguagem náutica.
Quando um navio não pode dirigir-se por si mesmo e outro
o reboca por meio de um cabo chamado "toa", diz-se
que o primeiro está indo à toa, isto é,
a reboque.
Daí passou-se ao sentido moral e diz-se que um ser é
"à-toa" quando não tem determinação
própria.
À toa é locução adverbial, sem hífen
e com crase. Significa: ao acaso, sem fazer nada. Exemplos:
"Estava à toa na vida, o meu amor me chamou."
(Chico Buarque)
Ninguém vem ao mundo à toa.
Através de
Essa locução tem o sentido de "por dentro
de", "de um lado para outro", ao longo de",
"por entre":
Olhava através das grades da janela.
Viajou através do país.
Cavalgava através dos pastos e florestas.
Foi companheiro através de anos e anos.
Portanto, evite usá-la quando corresponder ao sentido
de: "por meio de", "por intermédio",
ou simplesmente "por" (pelo, pela).
A campanha seria feita por meio de cartazes
Mandei as cartas pelo correio.
Soube do ocorrido por intermédio de uma vizinha/ou por
uma vizinha
Auto-elétrica ou auto-elétrico?
Internauta me fez essa pergunta. Nenhum dicionário registra
essa palavra, nem os tira-dúvidas mais tradicionais.
Na prática, encontramos estabelecimentos autodenominados
sob as duas formas.
"Auto" em "auto-elétrica" não
é prefixo que significa por si mesmo, como em "automóvel"
(move por si mesmo), porque a oficina não age por si
mesma. Trata-se de uma palavra derivada por abreviação,
como "moto" em motocicleta. "Auto" em "auto-elétrica"
é uma abreviação de automóvel. Auto-elétrica
significa uma oficina que cuidada da parte elétrica do
automóvel.
A palavra deve ser separada por hífen porque "elétrica"
começa por vogal e ficar no feminino por se subentender
a palavra oficina.
Auto-escola
O leitor Alaor Tristante Júnior acha que o plural de
auto-escola deveria ser "autos-escolas", afinal "auto"
não é prefixo, mas forma reduzida de automóvel.
Como a referência de todos é o Aurélio,
nele o plural registrado é "auto-escolas".
Na verdade, há uma confusão entre o elemento de
composição "auto" com a redução
homônima de "automóvel" diz Adrino da
Gama Kury em seu livro "Para Falar e Escrever Melhor o
Português", por isso "auto" não
vai para o plural, comportando-se como se fosse um prefixo.
Da mesma forma auto-estrada: auto-estradas.
A ver/ haver
Essa roupa não tem nada a ver com você.
Nada a haver tem sentido completamente diferente: que não
tem nada a receber.
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