TIRA DÚVIDAS

Letra A
Abreviaturas: como abreviar as palavras?


Muitas vezes precisamos abreviar as palavras por economia de tempo ou de espaço. A regra geral para abreviatura das palavras é simples. Basta escrever a primeira sílaba e a primeira letra da segunda sílaba, seguidas de ponto abreviativo. Caso a primeira letra da segunda sílaba seja vogal, escreve-se até a consoante.
Exemplos: fut. (futuro), adj. (adjetivo), gram. (gramática), num. (numeral), al. (alemão), subst. (substantivo).
Se a palavra tiver acento gráfico, este será conservado se cair na primeira sílaba.
Exemplos: núm. (número), gên. (gênero), créd. (crédito), déb. (débito), lóg. (lógica), méd. (médico).
Se a segunda sílaba iniciar por duas consoantes, as duas farão parte da abreviatura.
Exemplos: pess. (pessoa), constr. (construção), secr. (secretário), diss. (dissílabo).
Algumas palavras não seguem a regra geral para abreviatura. Exemplos: a.C. ou A.C. (antes de Cristo), ap. ou apto. (apartamento), bel. (bacharel), btl. (batalhão), cel. (coronel), Cia. (Companhia), cx. (caixa), D. ( digno, Dom, Dona), f. ou fl. ou fol. (folha), ib. ou ibid. (ilidem, da mesma forma), id. (idem, o mesmo), i.é. (isto é), Limo. (Ilustríssimo), Ltda. (Limitada), M.D. (Muito Digno), p. ou pág. (página), pp. págs. (páginas), pg. (pago), p.p. (próximo passado), P.S. (pós escrito = escrito depois), Q.G. (Quartel General), rem. ou remte. (remetente), S.A. (Sociedade Anônima), sv. (serviço), S.O.S. (Save Our Souls = salvai nossas almas), u.i. (uso interno), U.S.A. (Unitid States of America = Estados Unidos), vv. (versos, versículos).


Os gramáticos tradicionais não admitem flexão em abreviaturas, como: profª (professora), págs. (páginas). É bom lembrar que na flexão de gênero, não aparece a desinência “o”, indicativa do masculino nas abreviaturas, como: prof. profª. Está errado grafar o masculino assim: profº.
Nas abreviaturas de caráter internacional, não se põe o ponto abreviativo: h, kg, km, kw, l.
Nunca corte a palavra numa vogal, sempre numa consoante. Exemplo: departamento = dep., nunca depa.)
A abreviatura deve ter metade ou menos da metade da palavra original, do contrário, será melhor escrever a palavra por extenso.
Não se deve usar abusivamente abreviaturas em provas, trabalhos, artigos ou redações, só em anotações de uso pessoal.
No caderno Classificados da Folha da Região, o uso da abreviatura é uma constante porque o cliente quer economizar espaço para pagar menos.

Abreviatura - ponto

No período: “O professor respondeu a Pedro Marcolino Jr.” não há a necessidade de repetir a pontuação. O ponto da abreviatura serve para indicar o final do período também.

Abreviatura de numeral


COMO? 1,5 MILHÃO DE REAIS?

Quando abreviamos R$ 1.500.000,00 para 1,5 milhão de reais, a casa do milhão é a que fica antes da vírgula. Observe mais exemplos: 2,1 milhões = dois milhões e cem mil; 1,3 bilhão = um bilhão e trezentos milhões; 4,1 bilhões = quatro bilhões e cem milhões.

Abreviatura de ordinal


Pedro Aleixo Filho, ex-colega de Folha da Região, tem uma nova pergunta. Na indicação de primeiro, primeira, segundo, segunda deve-se utilizar o algarismo, tendo, ao lado, um ponto encimado pelas letrasá o ou a sobrescritas ou utiliza-se apenas as letras? Ex.: 1.º e 1.ª ou 1º e 1ª?

Usar a última forma (sem o ponto) parece indicação de grau de temperatura na escala Celsius. Ex.: 1º (um grau), 32º (trinta e dois graus), 0º (zero grau), - 4º (menos quatro graus, quatro graus negativos ou quatro graus abaixo de zero).

É, também, errado colocar um tracinho (-) ou dois (=) abaixo das letras a e o sobrescritas (ª e º). Certo?

Resposta: o Pedro perguntou, mas já tinha a resposta na ponta da língua, pois conheço o seu zelo pelo português culto. O único reparo que faço é colocar C depois do ozinho para indicar centígrados: 32º C.

Abreviatura de professor


A abreviatura da palavra professor não tem "o" como há em professora (prof.ª). Ninguém abrevia doutor como "dr.º". Doutora, sim, "dr.ª".

À custa de / às custas de


Como afirma o professor Sérgio Nogueira, embora muito usada no plural, a locução prepositiva correta é "à custa de". É importante lembrar que as locuções prepositivas de base feminina devem receber o acento da crase: à custa de, à mercê de, à base de, à procura de, à moda de...

A gente e agente

a) A gente = nós; o povo, as pessoas. Exemplo:
Nós vamos à praia este fim de semana. (Forma mais culta.)
A gente vai à praia este fim de semana. (Forma mais popular.)
b) Agente = indivíduo encarregado, responsável por determinada ação: aquele que age. Agente possui também outros significados. Exemplo:
Meu pai é agente de viagens da Varig.

A gente ou nós?


Se você estiver num contexto formal, que exige a gramática tradicional, não há dúvida de que nós é palavra mais adequada; no entanto, nada impedirá a utilização de a gente num ambiente descontraído e informal. Cabe lembrar-se, apenas, de que a concordância verbal deve prevalecer sempre: use nós com o verbo na 1ª pessoa do plural; use a gente com o verbo na 3ª pessoa do singular. Nunca use: a gente fomos.

Aids ou aids?

Como Aids é uma sigla, a inicial deve ser maiúscula. O Brasil adotou a sigla inglesa, em português ou espanhol seria Sida (adotada pela Argentina). Acho que foi interferência de Nossa Senhora Aparecida... a nossa Cida querida. Não ia ficar bem dizer que o fulano morreu de Sida.

Alfabeto - letras k, w, y


Por excesso de nacionalismo, tais letras não são consideradas de nosso alfabeto, embora o Brasil seja povoado de pessoas com sobrenomes estrangeiros. Elas aparecem apenas em casos especiais. A palavra whisky contém os três exemplos. Aportuguesando a palavra, tem-se uísque. A letra K deu lugar a QU; W, a U; e Y, a I.

Mas as letras K, W e Y aparecem em alguns casos, como:

a) abreviaturas internacionais: kg (quilograma), km (quilômetro), kWh (quilowatt-hora), W (watt), WC (water closet - banheiro)

b) nas palavras estrangeiras: marketing, walkman, lobby

c) nas palavras derivadas de nomes estrangeiros: kantismo, wagneriano, byroniano

d) As palavras derivadas de nomes estrangeiros comuns devem ser aportuguesadas: marqueteiro, lobista

Os nomes escritos com tais letras não seguem as regras de acentuação de nosso idioma. Exemplos: Válter (com acento) Walter (sem acento), Vágner (com acento), Wagner (sem acento), Cátia (com acento), Katia (sem acento).

Alerta


Alerta: sentinelas, alerta! (invariável, interjeição). "Todos os sentidos alerta funcionam" (advérbio - invariável)

Os gansos deram o alerta (substantivo - variável).

As autoridades sanitárias estão alertas (adjetivo, variável).

Há gramáticos que tratam essa palavra apenas como advérbio, invariável.

Alto-falante


Carlos Munhoz quer saber por que "alto-falante", se tal peça fica no carro, na caixa. E, às vezes, o som fica baixinho, conforme a vontade do usuário.

O alto de alto-falante se deve à ampliação da voz. Também à altura onde eram postas as cornetas. Quem tem mais idade, como eu, conheceu o serviço de alto-falante das cidades. Geralmente, havia um poste e lá em cima ficavam as caixas para que toda a cidade ouvisse os recados e músicas. Auto não dá, pois ele não fala por si mesmo.

Ambos - emprego

O numeral "ambos", que é o único "dual" em português, pode ser reforçado em "ambos os dois", "ambos de dois", "ambos e dois", "ambos a dois", "a dois ambos".
Exemplos: "O certo é que ambos os dois monges caminhavam juntos." (Herculano)
"Ambos estes dois instrumentos." (Vieira)
"Nós viemos praticando ambos de dous." (Antônio Prestes)
"De ambos de dois a fronte coroada/ Ramos não conhecidos e ervas tinha." (Camões).
Modernamente, porém, vem se evitando o emprego pleonástico de "ambos os dois", embora seja correto. (Rocha Lima, Gramática Normativa da Língua Portuguesa.)

Anexo


Em anexo (locução adverbial) - invariável. Exemplos: Os arquivos seguem em anexo. As pastas seguem em anexo.

Anexo (adjetivo) - variável (gênero e número). Exemplos: Os arquivos seguem anexos. As pastas seguem anexas.

A nível de? (Veja também o artigo "A nível de causa polêmica")

Jô Soares condena o uso da expressão "a nível de", mas nunca explicou o motivo da condenação. Não que eu tenha o hábito de utilizá-la, mas é realmente incorreto o seu emprego? (Leitor desta coluna). Transformei a dúvida dele em teste da semana.
Resposta: A nível de tornou-se uma muleta, ou seja, expressão dispensável, desnecessária. Veja os exemplos:
"Decisão a nível de diretoria". Não fica melhor dizer (ou escrever) "Decisão de diretoria"?
"O clube está fazendo contratações a nível de futuro". Não ficaria mais elegante escrever: "O clube está fazendo contratações para o futuro"?
Em determinadas situações, podem ser usadas as locuções no plano (de) ou em termos de. Ou no nível de / em nível de, uma vez que "nível" rejeita o "a" sozinho. Exemplos: O grupo elevou a entidade ao nível primeiro mundista (a nível primeiro-mundista - não seria a expressão mais correta)
Existe também ao nível de, mas apenas com o significado de à mesma altura: ao nível do mar. (Manual do Esstadão)

Ano novo/ ano-novo


“Feliz ano novo!” – sem hífen, pois a pessoa está desejando-lhe todas as felicidades do mundo no ano que se inicia. “Para o Natal e para o ano-novo, o supermercado Y tem as melhores ofertas.” – com hífen, pois é a festa. Em ambos os casos, letra minúscula.

Anos sessentas

Qual é o erro desta frase?
“Durante uma hora ele falou, emocionado, sobre sua juventude nos anos sessenta.”
A resposta certa: Durante uma hora ele falou, emocionado, sobre sua juventude nos anos sessentas.
Diz-se duas canetas ou duas caneta? A primeira, claro!
Cuidado para não confundir “numeral” com “substantivo”.
Numerais : quarenta anos, setenta anos, noventa anos. Substantivos : anos quarentas, anos noventas, anos noventas. Os anos setentas são: 70, 71, 72, 73, 74, 75, 76, 77, 78 e 79. Vários setentas! Há quem defenda o singular, pois alega que sessenta é um substantivo com função de adjetivo, que estabelece o tipo ou categoria, como em banana-maçã, bananas-maçã. A tendência atual é pluralizar: anos sessentas.
Os estudantes antigamente faziam a prova dos noves na escola? O número 5555 é formado por quatro cincos; o número 777, por três setes. E o número 111? Mesmo raciocínio: formado por três uns.


Ansiar (verbos terminados em -iar)

MEDIAR, ANSIAR, REMEDIAR, INCENDIAR e ODIAR, cujas letras iniciais foram o nome MÁRIO, são irregulares na conjungação porque ganham o I transformado em EI nas formas rizotônicas (acento tônico recai no radical) nas três primeiras pessoas do singular e na terceira pessoa do plural do presente do indicativo e do presente subjuntivo. Exemplo: odeia, odeias, odeia, odiamos, odiais, odeiam/ odeie, odeies, odeie, odiemos, odieis, odeiem.
Os outros verbos terminados em -iar são regulares. Exemplos: afio, aprecio, chio, crio, esquio, guio, mio, premio, principio e outros. A exceção é MOBILIAR, nele as formas rizotônicas (sílaba tônica no radical) têm acento tônico na sílaba BI (conseqüente acento gráfico) e não na LI: mobílio, mobílias, mobília, mobiliamos, mobiliais, mobíliam/ mobílie, mobílies, mobílie, mobiliemos, mobilieis, mobíliem.

Antártica ou Antártida

Esse assunto é polêmico.
Luiz Antonio Sacconi afirma que a região gelada chama-se Antártica, que é oposta ao Ártico.
Eduardo Martins no Manual de Redação do Estadão; Domingos Paschoal Cegalla em seu Dicionário de Dificuldades da Língua Portuguesa possuem outra posição:
Antártida - nome da região
Antártico, antártica: adjetivo. Exemplo: continente antártico, aves antárticas.
Os dois últimos são mais lógicos.

Antraz ou carbúnculo?


O nome antraz está nas primeiras páginas dos jornais, mas para os médicos o nome utilizado para designar a doença causada pela bactéria Bacillus anthracis é carbúnculo.

Antraz, segundo o médico professor Sebastião A. Prado Sampaio, 82 anos, médico e professor emérito de dermatologia da Faculdade de Medicina da USP, em artigo publicado na FSP de 18/10/2001, é uma outra moléstia, provocada por estafilococos e que está associada a furúnculos.
Nossos dicionários (Aurélio e Houaiss) de língua portuguesa não trazem antraz como sinônimo de carbúnculo, mas dizem que a doença é provocada pelo Bacillus anthracis. Isso não acontecia no Aurélio nas edições anteriores. Na edição "Século XXI" a equipe adotou a versão inglesa. Já o Michaelis usa antraz como sinônimo de carbúnculo.

Em inglês, as palavras que designam as duas doenças são as mesmas que em português, mas com o sentido trocado: ou seja, carbúnculo é "anthrax" e antraz é "carbuncle".
O “Webster's Enciclopedic Dictionary of English Language (1994)” confunde mais ao dizer que "anthrax" é um "malignant carbuncle", o que equivale a dizer, em português, que carbúnculo é um antraz maligno.

Sebastião A. Prado Sampaio, termina seu artigo, dizendo: “Seria importante também que o ministro da Saúde fosse informado de que antraz, em português, é um grupo de furúnculos, uma infecção estafilocócica, e que fosse esclarecido para a população: o "anthrax", em inglês, é o carbúnculo, em português”.

Tal missão será difícil diante da massificação da mídia sobre a palavra antraz. Fica aqui a colaboração deste site. Se os professores de Português tiverem a consciência desse fato, já é uma vitória.

O site português http://www.ciberduvidas.com/ discute amplamente o assunto, pois tanto no Brasil como em Portugal, o engano está sendo cometido.

Pena que não seja essa polêmica acadêmica que eliminará a insanidade da guerra biológica.

Ao encontro de/ de encontro a

Há muita gente que faz confusão ao empregar as duas expressões acima. Veja a diferença:
Os governantes deveriam ir "ao encontro das" necessidades do povo. (Indica conformidade, acordo.)
A reeleição vem "de encontro às" expectativas de Maluf. (Indica oposição, conflito.)

A persistirem/ ao persistirem


"A persistirem os sintomas, procure orientação médica."

"Ao persistirem os sintomas, procure orientação médica."

As duas formas aparecem em propagandas de medicamentos na tevê. Qual é a correta? Quem fez a pergunta foi João Batagelo, radialista (Rádio Tietê, Araçatuba).

Há duas estruturas diferentes, e deve-se optar entre elas com base no que pretende dizer. "A persistirem os sintomas..." é uma estrutura condicional; equivale a "se persistirem os sintomas...".

"Ao persistirem os sintomas" é temporal; equivale a "quando persistirem os sintomas".

Nessa frase do Ministério da Saúde, o significado implícito é "se os sintomas persistirem", embora o nexo temporal também seja possível.

Conclusão: as duas formas estão corretas, mas muitos gramáticos só admitem a frase na condicional: "A persistirem os sintomas...".

Apagão ou blecaute?


A duas palavras são de origem estrangeira e têm como definição a falta total de energia elétrica numa cidade ou região.
Apagão não é encontrada nos dicionários, já blecaute é registrada por Aurélio e Michaelis. Isso não quer dizer que esteja errado empregá-la, é um neologismo legítimo, que foi adaptado ao nosso sistema ortográfico.
Entre blecaute e apagão, prefiro a última, pois advém de uma língua também latina, o espanhol.
Segundo Eduardo Martins, que escreve “De palavra em palavra” no suplemento infantil Estadinho, apagão não é o aumentativo de nenhuma palavra do nosso idioma, mas o aportuguesamento do termo espanhol “apagón”.
O vocábulo era usado na América Central para designar o material que não queimava com facilidade ou o charuto difícil de acender. Por extensão, passou a ser sinôni-mo de escurecimento total.
A forma apagão chegou ao Brasil por causa dos ataques de grupos guerrilheiros americanos. Esses atos terroristas deixavam regiões às escuras pela destruição de usinas ou redes de transmissão de energia.
Blecaute. Outra palavra estrangeira, adaptada, do inglês “blackout”. O blecaute pode ser uma falta de energia repentina, causada por pane na rede elétrica, ou uma ação planejada. Durante as guerras, apagam-se as luzes ( blecaute) para evitar incursões de aviões inimigos.

A princípio / em princípio


Segundo Domingos Paschoal Cegalla em seu "Dicionário de Dificuldades da Língua Portuguesa", as duas locuções são empregadas, mas cada uma tem seu significado.

Em princípio: significa em tese, teoricamente, antes de qualquer consideração. Exemplo: "Em princípio, sua proposta nos interessa, mas só a direção da empresa é que pode aceitá-la".

A princípio: significa no começo, inicialmente. Exemplo: "A princípio, tudo parecia um mar de rosas, mas não tardaram a surgir dificuldades".

A priori / a posteriori


"A priori", expressão latina, significa anterior à experiência, anterior à verificação experimental. E tem como antônima outra expressão latina: "a posteriori" que significa conhecimento, afirmação, verdade provenientes da experiência, ou que dela dependem. Na verdade, há uma banalização das duas expressões como se fossem sinônimas de "antes" e "depois". Tomar cuidado.

Ar condicionado/ ar-condicionado

Sem hífen é o próprio ar, cuja temperatura foi alterada para quente ou fria. Exemplo: O ar condicionado lhe fez mal. Com hífen, designa o aparelho: Vende-se um ar-condicionado. Ou seja, um condicionador de ar.

Arroba

Qual é o sentido do símbolo @, usado nos endereços eletrônicos?
Resposta: A palavra arroba vem do árabe «ar-ruba» e quer dizer 15 kg, tem como antiga abreviatura@, portanto o símbolo existe antes do computador. A informação está na Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira. O Dicionário Aurélio afirma que a palavra tem origem grega, mas há quem
diga que ela vem mesmo da Espanha.
Veja o que diz o internauta José Carlos Nellis, araçatubense, mas mora há muito nos Estados Unidos: "De acordo com o famoso Merriam Webster's Collegiate Dictionary, 10ª edição, usado em todas universidades aqui nos EUA, a verdadeira origem de @ "arroba" vem do antigo espanhol e
português, e é também usado no francês, mas não indica que vem do árabe.
O gramático Adriano da Gama Kury também afirma que "arroba" é uma palavra de origem árabe. A influência dos mouros no português e no espanhol é contemporânea do latim. Como o dicionário do José Carlos é de inglês, não tem compromisso etimológico mais profundo com nossa língua.
Não encontrei uma explicação clara do motivo de tal símbolo ser transferido tal e qual para a informática. Nos endereços eletrônicos, ele está no lugar de "em", que pode ser traduzido assim:
em qualquer lugar.
Recebi do leitor Luís Ibanhez a seguinte explicação: O símbolo @ na informática é por que na língua inglesa ele significa AT, que traduzido significa EM. Então o nome está @: em algum provedor.

Artes plásticas

Quando se fala em artes plásticas, a pessoa se lembra do plástico e fica a imaginar a relação existente entre uma pintura artística e uma sacola plástica do supermercado. Artes quer dizer a expressão da atividade criadora. Plástico significa aquilo que tem propriedade de adquirir determinadas formas sensíveis, por efeito de uma ação exterior. Artes plásticas, portanto, envolvem cores, formas, linhas, volumes. Chama-se de artes plásticas a pintura, escultura, desenho, gravura e colagem.

Ascendência/descendência


Pergunta de leitora.

"Em uma conversa com um colega, perguntei-lhe:

1 - Você é descendente de árabes?

Ele, em tom de correção respondeu:

2 - Sou de ascendência árabe, descendentes serão meus filhos.

Quero saber se foi devida a correção.

Resposta: Veja os verbetes no Aurélio. "Ascendente: pessoa de quem se descende; antepassado, ancestre. Diversas famílias de Santa Catarina têm ascendentes alemães. Descendente: pessoa que descende de outra, ou de um povo".

Analisando o seu caso. Seu amigo está certo quando disse que tem ascendência árabe e que os filhos dele é que são descendentes, mas ele não se posicionou, porque é descendente em relação aos antepassados dele e ascendente sob o ponto de vista dos filhos dele.

Você está certa, e ele não errou, apenas se excluiu marotamente da frase.

Aspas- emprego

Recorremos ao livro “A Pontuação Hoje” , de Odacir Beltrão, para dar ao leitor um estudo detalhado do emprego das aspas. Há dois tipos de aspas:
Simples: feita com o sinal do apóstrofo (');
Duplas: (")
Quando se aplicam as aspas
1. Em transcrições ou citações:
O político Maurício Cardoso disse certa vez: "Uma hipótese é uma coisa que é e não é, mas que a gente gostaria que fosse só para ver como ela é, caso fosse". (Maurício Cardoso)
O ponto final vai após as aspas, encerrando o período.
Já no exemplo:
"A diferença que existe entre convicção e preconceito está em que podemos discorrer sobre uma convicção sem nos zangarmos."
O ponto final está compreendido pelas aspas, portanto vai antes delas. Igual orientação vale para os parênteses.
Em textos digitados, o itálico ou negrito substitui as aspas.
2. Há aspas simples quando uma citação está contida noutra: "Nos velhos tempos, ’escrever em papel grosso, em meia folha, era só para gente ordi-nária ou sem criação'; os tempos mudaram."
3. Em palavras estrangeiras, expressões latinas, palavras grafadas errada-mente, neologismos e gíria ainda não incorporada ao vocabulário: Ela es-creveu "nóis" por nós.
"Pô!" é uma nova interjeição. Gosto dos "magrinhos". Ele funcionou como escrivão "ad hoc". As crianças ficaram no "playground".
A tendência moderna é usar o itálico em vez de aspas. Mesmo os termos ou expressões latinos, no original, enquadram-se nesta regra: sui generis
Os termos estrangeiros já incorporados não precisam nem de um nem de outro. Exemplo: show, marketing.
4. Não existe motivo convincente para que se coloque entre as aspas apeli-dos, quando forem simples apostos:
Josefa Ramos, conhecida por Fafá.
É correto aspear ou pôr entre parênteses o apelido:
Lynette "Squeaky" Fromme tentou matar o presidente.
Lupicínio (Lúpi) Rodrigues, compositor.
5. Não se põem aspas em alcunhas das páginas policias ou locuções subs-tantivas próprias, tais como: Foi detido ontem Mário Rodrigues Quintana, vulgo Bodão. Abril se inicia com a Semana Santa.
6. Aspas e destaque são coisas diferentes. Quando se quer dar destaque a uma palavra, é melhor pô-la em negrito ou itálico.
7. O uso das aspas é justificado quando indica ironia ou malícia: Falei ao "professor" Fulano. O tesoureiro pagou "por engano" o serviço do cunhado.
8. Põem-se aspas em títulos de artigo de jornal, crônica, de revista, capí-tulo de livro etc. Ou em itálico (ou negrito) em texto digitado: A crônica "Fabricante de Mães" está na “Folha da Região”.
9. Para suprir a repetição de palavras:
2 caixas de clipe.
5 " de caneta.
10. Aspeiam-se as referências a elementos de textos ordenados ou articula-dos: No exemplo "a" o redator empregou aspas erroneamente ao escrever "BEM FALANTE", já que as palavras estão em caracteres maiúsculos. Não devemos grifar nem aspear os exemplos: Vamos pingar os pontos nos ii.
Escreva direitinho, com todos os efes e erres.
11. Na redação oficial, em transcrições com mais de um parágrafo, aspei-am-se o começo de cada parágrafo e o final do último.
l2. Não abuse das aspas para destaque. O efeito pode ser outro, porque o texto se transformará num verdadeiro matagal de aspas, anulando o objeti-vo pretendido.

Aspecto verbal


O aspecto verbal exprime a ação verbal no seu início, no seu desfecho, no seu curso, num de seus instantes, na sua freqüência.
O aspecto pode ser:
pontual: indicando que o processo foi instantâneo (disse, olhei);
cursivo ou durativo: em que se vê a ação em seu desenvolvimento (ia dizendo, estava olhando);
conclusivo: o processo é visto em seu fim, como concluso e com um resultado (leu, trabalhou);
permansivo: o processo está concluso e com um resultado permanente (caiu, sabe, aprendeu);
incoativo ou inceptivo: em que o processo verbal é visto em seu começo (amanhecer, partir);
interativo ou freqüentativo: se exprime uma série de processos repetidos (voejar, saltitar, tenho falado, bate que bate).
O aspecto pode ser expresso por sufixos:
- ecer, asp. incoativo,
-ejar, -itar, asp. iterativo,
por um verbo auxiliar – começar a, entrar a, asp. inceptivo ou incoativo
pelo tempo verbal – o pretérito imperfeito é de asp. cursivo, ao passo que o perfeito é conclusivo pela própria significação do radical – cair é pontual, partir é incoativo, chegar é conclusivo, andar é cursivo, saber é permansivo.
O presente do indicativo é usado para o momento que se fala, mas ele pode ser empregado no lugar no pretérito perfeito, chamado presente histórico. Neste caso, a consulta do “Pelé”, as duas alternativas estão corretas.

Assentamento

Esta Folha noticiou que o município de Lourdes-SP assentou 15 famílias em terras arrendadas pela prefeitura.. Os assentados irão plantar e colher, evitando assim o desemprego. Leitor perguntou-me por telefone se assentar/assentamento não trazem no sentido a noção de definitivo, já que a per-manência as 15 famílias seria provisória. O verbo assentar tem várias acepções; no caso, significa “instalar”, que pode ser por certo tempo.
Na verdade, os termos “assentar/assentamento” ganharam ultimamente conotação política, pois são empregados pelo INCRA (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) e pelo MST (Movimento dos Trabalhado-res sem Terra). Daí, talvez, venha a dúvida do leitor.

Asterisco e número

Primitivamente só era usado o asterisco a fim de chamar a atenção do leitor para alguma nota colocada em rodapé na página. Por ter o aspecto de pequena estrela (*), ele recebeu o nome popular de estrelinhas e pode vir isolado, seguido de parênteses fechado ou entre parênteses: * ou *) ou (*).
Atualmente surgiu o emprego de número para substituir os asteriscos, nas chamadas de rodapé ou no fim do escrito (artigo, tese, livro e outros).
Exemplo: Mark Twain (*) foi dos primeiros compradores de máquina de escrever. Consta que seu romance "Tom Saywer" foi o primeiro livro cujos originais chegaram datilografados ao editor.
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* Mark Twain, famoso escritor norte-americano.

Exemplo: Mark Twain (1) foi dos primeiros compradores de máquina de escrever. Consta que seu romance "Tom Saywer" foi o primeiro livro cujos originais chegaram datilografos ao editor.
----------------------------------------------------------------------
1. Mark Twain, famoso escritor norte-americano.

Ateu e agnóstico

É um assunto de filosofia. De modo grosseiro, pode-se dizer que, enquanto o ateu nega a existência de Deus, o agnóstico (de agnosticismo) considera-se incapaz de atingir um conhecimento absoluto sobre fenômenos como a origem da vida.

À-toa / à toa


À-toa é adjetivo (invariável) vem com hífen e exige crase. Significa impensado, inútil, fácil, desprezível, insignificante. Exemplos:
Eram comentários à-toa.
Mas que sujeito à-toa!
Essa é uma afirmação à-toa.
Tal adjetivo originou-se da locução adverbial "à toa", inicialmente usada na linguagem náutica. Quando um navio não pode dirigir-se por si mesmo e outro o reboca por meio de um cabo chamado "toa", diz-se que o primeiro está indo à toa, isto é, a reboque.
Daí passou-se ao sentido moral e diz-se que um ser é "à-toa" quando não tem determinação própria.
À toa é locução adverbial, sem hífen e com crase. Significa: ao acaso, sem fazer nada. Exemplos:
"Estava à toa na vida, o meu amor me chamou." (Chico Buarque)
Ninguém vem ao mundo à toa.

Através de

Essa locução tem o sentido de "por dentro de", "de um lado para outro", ao longo de", "por entre":
Olhava através das grades da janela.
Viajou através do país.
Cavalgava através dos pastos e florestas.
Foi companheiro através de anos e anos.
Portanto, evite usá-la quando corresponder ao sentido de: "por meio de", "por intermédio", ou simplesmente "por" (pelo, pela).
A campanha seria feita por meio de cartazes
Mandei as cartas pelo correio.
Soube do ocorrido por intermédio de uma vizinha/ou por uma vizinha

Auto-elétrica ou auto-elétrico?

Internauta me fez essa pergunta. Nenhum dicionário registra essa palavra, nem os tira-dúvidas mais tradicionais. Na prática, encontramos estabelecimentos autodenominados sob as duas formas.
"Auto" em "auto-elétrica" não é prefixo que significa por si mesmo, como em "automóvel" (move por si mesmo), porque a oficina não age por si mesma. Trata-se de uma palavra derivada por abreviação, como "moto" em motocicleta. "Auto" em "auto-elétrica" é uma abreviação de automóvel. Auto-elétrica significa uma oficina que cuidada da parte elétrica do automóvel.
A palavra deve ser separada por hífen porque "elétrica" começa por vogal e ficar no feminino por se subentender a palavra oficina.

Auto-escola

O leitor Alaor Tristante Júnior acha que o plural de auto-escola deveria ser "autos-escolas", afinal "auto" não é prefixo, mas forma reduzida de automóvel. Como a referência de todos é o Aurélio, nele o plural registrado é "auto-escolas".
Na verdade, há uma confusão entre o elemento de composição "auto" com a redução homônima de "automóvel" diz Adrino da Gama Kury em seu livro "Para Falar e Escrever Melhor o Português", por isso "auto" não vai para o plural, comportando-se como se fosse um prefixo. Da mesma forma auto-estrada: auto-estradas.

A ver/ haver

Essa roupa não tem nada a ver com você.
Nada a haver tem sentido completamente diferente: que não tem nada a receber.

 
Profª. Alcioneide Oliveira© 2006 All Rights Reserved.