DESIGUALDADE DE COR    
 

Os jovens negros em Santa Catarina integram agregados cuja renda per capita é 110% menor do que a das famílias de jovens brancos
Editorial
Mesmo em Santa Catarina, Estado que melhores condições de vida oferece aos jovens de 15 a 24 anos no País, conforme relatório da Unesco, os adolescentes de cor negra ou parda continuam vítimas das desigualdades sociais, sofrendo aqui as mesmas restrições de escolaridade, renda e saúde que vigem no restante do Brasil. Em Santa Catarina, aponta o relatório da Unesco, a partir de informações dadas pelo governo, o jovem de cor negra e parda sofre a mesma exclusão socioeconômica que seus iguais que moram até nos Estados mais atrasados. O Índice de Desenvolvimento Juvenil (IDJ), criado pelo órgão da ONU para estabelecer parâmetros de desenvolvimento, revela que o jovem de cor branca e morador de cidade, em comparação com o jovem que mora nas áreas rurais, usufrui de condições superiores e muito melhores de vida, alcançando maior índice de escolaridade, melhor renda e menores níveis de saúde. A desigualdade social alcança o jovem negro ou pardo em Santa Catarina, o Estado que detém os melhores índices de desenvolvimento juvenil do País, tanto quanto o jovem que reside, por exemplo, em Alagoas, a menos desenvolvida das unidades Federação. A origem, portanto, determina também o futuro desses jovens, inclusive no Estado de melhor desenvolvimento juvenil. Trata-se de inegável realidade, facilmente comprovada quando se observam estatísticas relacionadas com o acesso ao ensino superior e a empregos mais qualificados e de melhor remuneração. A presença nessas instâncias de jovens negros ou pardos é sempre ínfima. Os jovens negros em Santa Catarina, indica o mesmo relatório, integram agregados cuja renda per capita é 110% menor do que a das famílias de jovens brancos. Quanto à classificação de SC no relatório da Unesco, cabe ressaltar que o Estado detém essa condição em razão da origem de sua população, com forte composição de imigrantes europeus, responsáveis pelo desenvolvimento equilibrado de todas as regiões. Em SC, também existe razoável distribuição populacional entre o campo e a cidade. Mesmo oferecendo as melhores condições para os jovens de cor branca e de famílias urbanas, em Santa Catarina persistem outras estatísticas semelhantes ao resto do País. Entre elas, a violência e a baixa expectativa de emprego e renda para milhares de jovens, inclusive os recém-saídos dos cursos superiores. O levantamento da Unesco aponta índices positivos de saúde e educação, mas mostra também que a renda familiar média do jovem catarinense é apenas a terceira melhor do País (não chega a dois salários mínimos), ou seja, é inferior a R$ 500,00. O índice mostra como, de fato, é baixa a renda média da família brasileira, o que explica também por que a economia se mantém quase paralisada há duas décadas.
 
     
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