Só se ouvia
burburinho nas ruas, academias e nos corredores dos colégios
a respeito da foto que sairia na revista Stylos “defasados”
coma a participação de alguém codinominada de “Diabinha”.
Interpelado por uma aluna enquanto
me dirigia a uma das salas de aula para ministrar conteúdo, eis
que surge a pergunta tomada de entusiasmo pela jovem que me parara:
“E ai professor já viu a foto da diabinha?” Eu, assustado
com tamanha importância dada ao fato pela jovem, sem quere agredi-la,
em tom suave e estupefato, respondi: “Não, ainda não”.
Mas, convenhamos, na minha mente eu registrava “com certeza eu
tenho assuntos mais importantes para me preocupar como os que caracterizam
o conflito entre israelenses e palestinos, a sucessão presidencial
e a crise na Argentina – processos sociais que de maneira direta
interferem na nossa tomada de consciência enquanto seres humanos
e cidadãos”.
Contudo, ao chegar a casa, algumas
lembranças surgiram e me fizeram refletir sobre o causa esse
tipo de frisson nas pessoas para verem um corpo nu: seria uma curiosidade
da garota para averiguar se a lipoaspiração, da pseudomodelo
em questão deu certo? Com certeza, esse é um detalhe.
O problema é que todos nos
estamos marcados como gados no curral pelo estigma de vaidade; vaidades
do corpo, de cabelo de nudez vulgarizada, atribuindo a ela característica
de fotografia artística. Ah! Quantas desculpas encontramos para
fazer valer a nossa futilidade. Se perguntarmos quais são as
reais causas que caracterizam os pactos entre a Argentina e a possibilidade
de auxilio do FMI, as garotas morenas-mutantes-louras não vão
saber; se indagarmos o porquê da saída da Roseana Sarney
do pleito presidencial, talvez não saibam... mas, se fizermos
um questionamento direcionado às fotografias da Diabinha aí
sim! Com detalhes positivos e degradantes, ouvi-lo-emos com a melhor
descrição, fútil, porém, estupidamente detalhada.
Senhoras, senhores, temos que parar
de imaginar a sociedade formada por mulheres que longe dos afazeres
domésticos entregam-se à fartas libações
de construção do corpo e da egosclerose que agora, de
forma presente, caracteriza o sexo feminino. Em anexo ao crescimento
das mulheres no mercado de trabalho, outras tantas deturpam liberdade
dos direitos civis com falta de senso para estereotipar as vulgaridades
sexuais. O que queremos ver? Talvez, agora, pelas poses gastas, teremos
que inovar, observando a formatação do útero feminino,
aspecto já exercitados pelas Sheilas, Carlas e Tiazinhas. Inconcete
e desprezível conduta! Inocente, porque provém da ignorância,
que, às vezes, é atrevida, como também desprezível,
pois não valorizam a capacidade por méritos intelectivos,
porém pelo delineamento e pela divisão do abdômen
ou da largura do bumbum. Chega! Obviamente, não estamos condenando
a garota, sempre educada, sorridente, lisonjeira. O problema está
em como as pessoas encaram esse ripo de “trabalho” numa
cidade, bonita, entretanto com pensamentos conservadores. Talvez, pobre
Diabinha, esteja querendo se tornar imortal, a exemplo de mulheres ícones
na sociedade sergipana como Ofenísia Freire, professora e primeira
mulher a ocupar uma cadeira na Academia Sergipana de Letras, como Tânia
Soares, deputada federal, Lígia Sales, 50 anos lecionando e em
atividade total aos 70 anos, educando, Maria do Carmo Alves, senadora
da Republica e Leonor Franco, ex-ministra da Ação Social,
seguidas por Larissa Barata, ginasta que aos 15 anos representa do Estado
de Sergipe.
Assim, está em jogo a velha
Cultura da Mentira. Todos condenam, mas à frente dizem que ficou
maravilhosa, que ela arrasou! Confiram as amigas venenosas e os companheiros
afetados, que como a pseudo-Darlene permitem deixar expor a sexualidade
com frescalhagem tanto a sensualidade com vulgaridade. Temos que reavaliar
nossos valores para que outras garotas e garotos, mal assessorados,
não tenham que passar pelo momento de exposição
do corpo como se fosse um eletrodoméstico ou pior, carne de terceira
exposta no mercado Albano Franco, sem iluminação e sem
condições de higiene para depois, em fase adulta, poderem
exigir da própria sociedade o respeito que sequer estes jovens
cederem a si mesmos, quando foram motivados pelo narcisismo egocêntrico.
Respeito se constrói com trabalho, com conduta, com postura profissional,
com cérebro, e não com os cabelos tingidos de louro e
poses erotizadas.
Não obstante, há quem
leia o texto e diga “que exagero”, “que radical”
e por aí segue: “vivam a Sodoma e Gomorra” e “viva
ao ter em lugar do ser”.
Detalhe: a sociedade de estar se
perguntando: “afinal, por que a Diabinha? Capeta pelos dotes intelectuais
ou na cabeça dos mais imaginativos filos presentes neste pensamento
sórdido, pelos dotes sexuais?
Quem tiver os neurônios desenvolvidos,
que edifique as próprias análises.
A temática é importante,
pois as pessoas tentam ser algo para os outros sem que tenham se preparado
para tal. Trocam-se no país vários talentos pela presença
de um metro e meio de bunda, ignorando as qualidades intelectuais das
pessoas para julgá-las como importante diante de um mundo fútil,
que trata do certo e do errado e reduz a importância do reconhecimento
social a um rosto ou pernas bem definidas. Claro, que a beleza também
tem seu lugar. É preciso estar bem por fora para sentir-se melhor
por dentro. Mas não podemos enxergar este assunto como o centro
das atividades humanas. Se há de se tornar celebridade, que o
seja pela competência, principalmente de pensar.
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