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Editorial
Abordamos há pouco o lançamento do Programa Euclides da
Cunha e a importância de iniciativas como essa no processo de inclusão
social, que apenas iniciamos. Comentamos, na ocasião, o descaso
geral quanto ao social, especificamente o ensino, entre nós. O
tema é vasto e hoje a ele voltamos, com observações
sobre novidades que estão sendo estudadas pelo ministro da Educação,
Tarso Genro, e sobre programas já em execução, como
o Bolsa-Universidade. O ministro tem duas preocupações prioritárias:
autonomia universitária e melhora do ensino superior em qualidade
e quantidade, facilitando o acesso à universidade e combatendo
a proliferação sem qualidade (com raras exceções)
do ensino privado, inclusive universitário. A autonomia está
consagrada na nossa mais recente Constituição (como seria
bom ter uma Constituição venerável e respeitada,
como a dos Estados Unidos!). Só agora, 16 anos depois de sua promulgação,
a autonomia vai poder começar a ser concretizada, se o MEC conseguir
fazer a reforma universitária que pretende. Estão em pauta,
paralelamente a autonomia e qualidade, também o papel das instituições
de ensino superior públicas e privadas, o gerenciamento das universidades
públicas, o acesso e permanência de alunos, programas e conteúdos
dos cursos, e a avaliação do ensino. A autonomia permitirá
às universidades decidir sobre como organizar o ensino, sobre políticas
e práticas de administração e gerência de recursos
financeiros. Em contrapartida, terão de prestar contas à
sociedade. É aí que entram discussões sobre modelos.
Na Europa, as universidades públicas estatais são as melhores.
Nos Estados Unidos, o melhor ensino/pesquisa está na universidade
público-privada, sustentada por fundações privadas,
mas com espírito público. Tanto a Europa como os EUA dominam
o setor de ciência e tecnologia (C&T) no mundo. O Brasil privilegiou
o modelo europeu, mas fez de seus professores-pesquisadores funcionários
públicos estáveis, sem obrigação de produção
acadêmica, ensino de qualidade, pesquisa relevante. Quem produz
e quem não ganham o mesmo salário. Na polêmica sobre
os tipos de universidade pública estatal versus universidade privada
sem compromisso público, há sugestões para que se
adote, paralelamente aos modelos atuais, um modelo alternativo, que seria
uma universidade de propriedade e gestão privadas, mas com espírito
público e compromisso com C&T e inclusão social.
Há, em São Paulo e Goiás, um programa de êxito,
que está sendo considerado pelo ministro Tarso Genro. É
o Bolsa-Universidade, uma Bolsa-Escola para o nível superior de
ensino. O estudante comprovadamente carente recebe uma bolsa bancada pela
sua faculdade privada e pelo Governo. Em contrapartida, tem que fazer
trabalhos como ensinar em escolas públicas, servir na recepção
de um hospital público, entre outras atividades de cunho social
e comunitário. Nada mais justo.
Em São Paulo, o programa faz parceria com a Unesco e o Instituto
Ayrton Senna. Ressalta-se que o aluno sem recursos ganha a possibilidade
de fazer uma escola superior, o contato com a realidade concreta do trabalho
amplia suas habilidades profissionais e intelectuais, a escola e outras
instituições públicas ganham o apoio de uma mão-de-obra
qualificada, e o País pode contar com mais gente com formação
superior. A universidade estatal pública também poderia
adotar essa alternativa, em vez de cobrar anuidades, o que o MEC não
está inclinado a aceitar. O que é visto geralmente como
inaceitável é que os que recebem formação
superior gratuita do Estado não retribuam o contribuinte, a sociedade,
com alguma prestação de serviço não remunerado
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