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Música
ao Longe - Érico Veríssimo
A história é
construída do ponto de vista da jovem Clarissa, personagem de
romance homônimo do autor. Seu diário delineia um mundo interior
emocionado e inquieto, oposto à monotonia e à decadência no
mundo exterior. Agora com 16 anos e professora em Jacarecanga,
vive com a família que, de origem rica, está em declínio. Em
meio à monotonia da cidadezinha do interior gaúcho e da tristeza
pela dissolução de sua família, a jovem sonha com um acontecimento
extraordinário. Este será através de sua aproximação crescente
com o esquivo, agressivo e misterioso Vasco, que a desperta
para o amor. Neste romance, que mereceu em 1935 o "Prêmio
Machado de Assis", através de suas impressões vamos conhecendo
as outras personagens: João de Deus, estancieiro arruinado;
Jovino e Amâncio, ambos em dificuldades financeiras, dominados
pelo vício; D. Zezé, uma velhinha que vive voltada para o passado;
Cleonice e Pio, noivos há doze anos; Seu Leocádio, o velhote
dos mistérios, dono do único telescópio que existe em Jacarecanga,
charadista, poeta, músico e entendido em almanaques. Outras
personagens desfilam, destacando-se entre elas Vasco, rapaz
de aspecto selvagem, primo de Clarissa. O que vemos nessas páginas
é a vida duma cidade do interior do Rio Grande desfilar em câmera
lenta diante de nossos olhos. A história é escrita com simplicidade
de linguagem e de construção. Faz parte da série de romances
onde vemos Clarissa, Caminhos Cruzados e Um Lugar ao Sol. Música
ao Longe ocupa um lugar definitivo na literatura brasileira
e é uma dessas obras inteiramente realizadas, que tanto são
lidas pelo seu valor intrínseco como pelo justo renome que possuem.
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