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O Tempo
e O Vento - Érico Veríssimo
O Continente
- Intercalada pela história do sítio ao sobrado, onde morre
Florêncio Terra e a filha recém-nascida de Licurgo, durante
uma revolta em 1895, onde aparecem também os jovens Rodrigo
e Toríbio Terra Cambará. Conta-se 150 anos da história do RS
até aquele ponto pela vida da família Terra Cambará. A primeira
parte é A Fonte, já que o que se segue é a história do personagem
que se torna a fonte do qual surge toda a família. É a história
do mameluco Pedro Missioneiro, que nasceu em 1745, morou nos
Sete Povos das Missões e adquiriu de um padre (seu padrinho,
que o batizou com o nome de um homem que um dia quis matar pela
amante antes de se tornar padre) uma adaga que passa pela família.
Pedro tinha visões que se realizavam, dizia ser filho da Virgem
Maria e sai da Missão três meses após a morte de Sepé Tiaraju.
A parte é Ana Terra. Ana é a jovem filha de Maneco Terra que
ajuda Pedro Missioneiro a se curar após cair ferido, já homem,
em seu rancho. Ana Terra se apaixona por Pedro e dele engravida,
passando assim a ser desprezada pelo pai e os irmãos, que matam
Pedro. Quando o rancho é atacado, seu pai, seu irmão (o outro
se mudara e abrira uma venda) e dois escravos são mortos e ela
é estuprada, mas sua cunhada e as crianças se salvam disto tudo
escondidos. Após enterrar os cadáveres, ela segue para as terras
do Coronel Amaral para ajudar na fundação de um povoado chamado
Santa Fé. Lá se torna a parteira. Já Um certo Capitão Rodrigo
conta a história de Rodrigo Cambará, um anti-herói que chega
ao povoado de Santa Fé e se apaixona por Bibiana, neta de Ana
Terra e filha de seu único filho Pedro. Bibiana era disputada
pelo jovem Bento Amaral, o que leva Rodrigo e ele a duelarem
de arma branca. Rodrigo entalha um P na cara do outro, mas leva
um tiro traiçoeiro antes de por a perninha do R. Quando o padre
lhe visita para dar a extrema-unção, Rodrigo lhe dá uma figa
e começa a melhorar. Rodrigo mais tarde se casa com Bibiana,
também apaixonada, apesar de contrariada pelo pai Pedro Terra.
Rodrigo abre um negócio com Juvenal Terra, primo de Bibiana
e começa a se degenerar, traindo Bibiana, bebendo e jogando.
Quando uma das filhas do casal, Anita, morre, Rodrigo está jogando
e é avisado do estado da menina, mas demora a ir para casa.
Quando o faz, revolta-se em negação mas finalmente sucumbe ao
choro. Redime-se e torna-se melhor que antes, bebendo após isso
tudo um único gole, quando nasce sua nova filha, Leonor, que
passa a ser companhia de seu primeiro filho Bolívar. Rodrigo
vai então para a Guerra dos Farrapos e, ainda durante a guerra,
volta para Santa Fé atacar a residência dos Amarais. Ele ama
Bibiana mais uma vez e promete voltar, mas cai com um tiro no
peito durante um ataque. A teiniaguá conta sobre Luzia, Florêncio
e Bolívar. Florêncio é o folho de Juvenal e melhor amigo de
Bolívar durante a infância. Luzia é a neta de um agiota que
se estabelece em Santa Fé. Doente mental, Luzia é sádica, como
a teiniaguá, uma lenda gaúcha que conta de uma princesa moura
transformada em cobra com cabeça de diamante que gosta de ver
outros sofrerem, mas sua beleza atrai todos os homens, incluindo
Florêncio e Bolívar. Ela se casa com Bolívar depois que este
volta da guerra, muito perturbado. Lentamente eles começam a
se afastar dos amigos. Por fim (quase tudo isto observado pelo
ponto de vista do médico da cidade, Carl Winter) ela demonstra
todo sadismo ao continuar em Porto Alegre durante uma visita
mesmo estando uma epidemia do cólera acontecendo. Ao voltarem,
ambos se trancam no quarto após uma violenta discussão de Luzia
com Bibiana. Luzia se sente presa a Santa Fé. Bibiana, que estimulara
a união para passara a viver no Sobrado, construído no terreno
da casa de seu pai e tomado pelo agiota, sabe como Luzia é má.
O doutor finalmente fala com Bolívar e este revela que tudo
que queria era fugir para uma guerra. Como eles estão de quarentena
no Sobrado, obra de vingança do Coronel Bento Amaral por ser
Bolívar filho do homem que lhe talhou o rosto, Rodrigo sai atirando
do Sobrado contra os homens que lhe prendiam humilhantemente
em casa e cai morto, enviuvando Luzia e deixando órfão de pai
seu filho Licurgo. A Guerra conta a história dos anos finais
de Luzia e sua disputa com Bibiana pelo amor de Licurgo enquanto
este cresce. Luzia está na época com um tumor no estômago, e
a preocupação principal de Bibiana é permanecer no Sobrado.
Luzia, ao final, perde a guerra não declarada, pois o que queria
era um filho cosmopolita, e Licurgo continua em Santa Fé. Ismália
conta a história de Licurgo já mais velho trabalhando em Santa
Fé com seu melhor amigo, o jornalista Toríbio, pela proclamação
da República, tudo enquanto envolvido com o casamento com a
prima Alice, filha de Florêncio Terra e a amásia, Ismália. Ismália
é uma china (palavra usada até hoje em partes do Rio Grande
do Sul que designa uma "mulher da vida") submissa
a Licurgo do qual este gosta e permanece assim pelos anos que
seguem e engravida dele. A luta pela República enfim tem sucesso
e a rivalidade dos Terra Cambará com os Amaral continua com
Alvarino e Licurgo, como antes fora com Bento e Rodrigo. As
continuações são O Retrato e O Arquipélago. O Retrato
- Dividido em quatro partes, conta a história da família Terra
Cambará até 1945, completando junto com o Arquipélago mais 50
anos da história do RS. Rosa-dos-ventos conta da chegada de
Rodrigo Cambará do RJ logo após a deposição de Getúlio Vargas
em 1945, visto apenas sob o ponto de vista dos habitantes da
cidade fofocando sobre seu passado e sobre sua atual situação
de saúde, política e família, com opiniões variadíssimas. Aparece
aqui a explicação para o título do livro: o retrato é uma pintura
feita por um pintor de Rodrigo com vinte e quatro anos em que
a própria personalidade de Rodrigo, junto com seu passado presente
e futuro, parece transpirar. Chantecler mostra o jovem Doutor
Rodrigo Terra Cambará chegando a Santa Fé em fins de 1909, idealista,
pensando em revolucionar a cidade. Sua primeira empreitada é
a campanha civilista pelo candidato Rui Barbosa para presidente,
pela qual ele funda o jornal A Farpa. Usando "A Farpa"
Rodrigo e seus amigos, especialmente o pintor espanhol anarquista
Pepe Garcia, que como o Doutor Winter se sente preso misteriosamente
a Santa Fé. Pepe trabalha como tipógrafo n'A Farpa e Rodrigo
escreve artigos em favor de Barbosa. Mas Hermes da Fonseca vence
a eleição e Rodrigo se desilude com a política. Rodrigo também
age com um desprendimento total em relação a dinheiro, presenteando
e ajudando muitos, como o jovem Marco a quem ele dá dinheiro
para começar uma fábrica, e os vários pobres das favelas de
Santa Fé aos quais ele atende gratuitamente, distribuindo comida
e alimentos no inverno, apesar da reprovação do anarquista Pepe
e de seu positivista amigo, o Tenente Rubim. No plano romântico
Rodrigo se enamora de Flora e corteja-a do modo tradicional,
muito a contragosto. Sua carne é fraca, no entanto, e ele acaba
por se deitar algumas vezes com uma jovem Caré tal qual o pai
e outras jovens. Mas ainda assim continua pensando em sua Flora,
filha de um arruinado estancieiro, Aderbal Quadros. Também deve
se destacar que Santa Fé está toda preocupada com a passagem
do cometa Halley, já que diziam que este destruiria a Terra
ou envenenaria a todos com sua cauda. O título deste segmento,
Chantecler, deve-se ao personagem de uma peça de Rostand que
estréia em Paris durante esta época, no qual o personagem principal
é um galo imponente que se ilude achando que o sol não nasce
sem o seu cantar, tal qual Rodrigo se vê como uma figura capaz
de corrigir todos os males de Santa Fé. A sombra do anjo conta
a história de Rodrigo já casado e com dois filhos em 1914-15,
numa Santa Fé sem Pepe e com adversários inertes. Rodrigo continua
fazendo clínica e morando na cidade, enquanto o pai e o irmão
passam a maior parte do tempo no Angico, a fazenda da família.
O que move a história é, no plano político, a candidatura ao
Senado do Marechal Hermes da Fonseca, seu desafeto, e no plano
pessoal a paixão que Rodrigo sente por Toni Weber. A família
Weber é uma família de músicos austríacos que chegam a Santa
Fé, com quem Rodrigo primeiro não simpatiza por serem da pátria
aliada a Alemanha a quem odeia em tempos de guerra. Mas após
ouvi-la passa a simpatizar com ela e se apaixona por Toni. Quando
estes são roubados por seu empresário, Rodrigo arranja que possam
permanecer na cidade, trabalhando no cinema às custas de Rodrigo.
Numa das visitas ao Sobrado ele finalmente conquista Toni, que
também o ama. Eles passam a se encontrar, pouco mas intensamente
na casa dela. Um dia ela vai ao hospital de Rodrigo (ele clinicava
lá e o doutor Carbone operava) e conta a ele que está grávida.
Rodrigo pensa em aborto, em casá-la, em tudo. Mas nada adianta,
pois quando ela está para se casar com um colono, ela se mata.
Rodrigo confessa ao irmão e ao padre, que cuidam dele. Quando
ele vai para o Angico, tenta disfarçar mas acaba contando ao
pai, que se desaponta com ele. Rodrigo fica então em sua cama,
quase enlouquecido, pensando, delirando, com o mal que fizera
àquela que ama. Uma vela para o Negrinho conta já em 1945 sobre
os filhos de Rodrigo Cambará reagindo a conjuntura político-familiar
do momento. Floriano está a visitar o cemitério e vê a tumba
de Toni Weber sem conhecer a história por trás da moça, pensando
numa história para escrever. Fala com Pepe no bar, que diz que
Rodrigo o traiu e traiu o Retrato. Depois começa a inventariar
a família e a pensar no irmão mais novo, o comunista Eduardo.
Eduardo está enquanto isto a fazer um discurso comunista na
praça a frente do Sobrado enquanto Rodrigo convalesce. Após
o discurso Floriano e Eduardo discutem e Rodrigo chama Eduardo
para conversar. Floriano vai até o pátio com Maria Valéria,
que acende uma vela para o Negrinho do Pastoreio (reza a tradição
que ele acha o que foi perdido) para que os Terra Cambará encontrem
o que perderam.O Arquipélago - O Arquipélago
continua coma história da família Terra Cambará com o Dr. Rodrigo.
Entrelaçada por Reunião de Família, a história da família se
reunindo após a queda de Vargas, com Rodrigo a beira da morte
em 1945 continua a história de Rodrigo e Toríbio. Depois de
dois infartos e sofrendo de edema pulmonar, Rodrigo passa ao
tempo todo acamado, com a amante num hotel da cidade (ela veio
do Rio de Janeiro por conta própria), e os filhos desentendidos.
Floriano, o intelectual passivo está apaixonado por Sílvia,
mulher de seu irmão Jango, um homem simples. Eduardo milita
o comunismo e ataca o pai até em praça pública, enquanto Bibi
simplesmente se sente deslocada em Santa Fé, com o segundo marido.
Maria Valéria está cega e Flora mantém um casamento apenas de
fachada com Rodrigo. A maioria do tempo vêem-se discussões políticas
entre Rodrigo, Tio Bicho (amigo da família e confessor de Floriano),
Irmão Zeca (filho bastardo de Toríbio que se tornou irmão marista),
Terêncio Prates (sociólogo formado pela Sorbonne e estancieiro),
acabando sempre na figura de Getúlio Vargas que Rodrigo tanto
defende. Rodrigo enquanto isto também desobedece às ordens de
Dante Camerino, seu médico (ele chegou a ter um encontro com
a amante) e Floriano confessa a Tio Bicho o que sente por Rodrigo.
As anotações (Caderno de Pauta Simples) de seu filho mais velho,
o escritor Floriano, também intercalam a história. Elas são
um preenchimento de lacunas sobre acontecimentos menores da
história; reminiscências de infância e adolescência, onde se
lembra como se sentia por Rodrigo, o colégio interno onde era
um dos amantes da mulher do diretor (eram ambos pederastas);
impressões sobre o dia-a-dia daquela reunião; memórias de quando
era professor universitário de Literatura Brasileira em São
Francisco, onde reencontra Mandy Patterson, a americana que
namorara no RJ e o afastou de Sílvia. E aparece também um germe
para o romance que pretende escrever, fechando duzentos anos
de história, que é na verdade a história da própria família
Terra Cambará, dando caráter autobiográfico ao personagem (ele
vai afinal, escrever o livro que agora lemos), começando pela
história de Pedro Missioneiro, uma que ele não chegou a conhecer
já que Ana Terra nunca revelou. Essas duas últimas citações
dão caráter autobiográfico a Floriano, já que o autor foi professor
de Literatura Brasileira e, bem, escreveu esta história. A primeira
parte é O deputado, que conta sobre Rodrigo em 1922, deputado
estadual chimango. Mas a desilusão com o partido que ele e seu
pai passam a sofrer leva ele a renunciar ao cargo com um discurso
inflamado na assembléia municipal. Passa então mais uma noitada
no Rio e volta para Santa Fé e discute política com os amigos
e se prepara psicologicamente com o irmão para a revolução que
eles temem que virá. Lenço encarnado conta sobre a revolução
de 23 e a participação dos Cambarás. Por causa das fraudes nas
eleições estaduais, começas uma luta entre os borgistas (chimangos,
situação, inimigos dos Cambarás) e assisitas (maragatos, oposição,
derrotados pela fraude, ironicamente com a participação dos
ex-inimigos jurados dos Cambarás) A revolução começa em janeiro
e as tropas dos maragatos se reúnem, mas só partem com o consentimento
e sob o comando de Licurgo quando Alvarino Amaral decide lutar
separado. É um sinal das cicatrizes que ficaram da revolução
de 95, quando a filha de Licurgo, seu sogro e um agregado morreram.
A coluna dos Cambará leva Miguel Ruas, o promotor que nem sequer
gaúcho era; Liroca, quixotesco; a Cacique Fagundes e Juquinha
Macedo, dois chefes tradicionais (o primeiro morre); caboclos
pegos no meio do caminho (vários dos quais morrem); Rodrigo,
Toríbio e Licurgo. Eles marcham pelo estado, andando mais que
lutando, e por estas batalhas caem uns e tomam-se munição e
outras coisas. Ruas morre na tomada de Santa Fé e Licurgo numa
das últimas batalhas, com Rodrigo ao seu lado gritando por um
médico, esquecido que ele mesmo era um. Por todo este tempo
as mulheres e crianças ficam no Sobrado, Flora desesperada (este
capítulo revela que Flora conhece as escapadas do marido, a
de Toni Weber em especial) e Maria Valéria cuidando de tudo.
A revolução acaba em outubro, com vários mortos e uma paz que
manda que o governador reeleito Borges de Medeiros não o seja
mais e outras concessões. Um certo Major Toríbio é a parte que
relata sobre os três anos seguintes, as revoltas contra Artur
Bernardes, presidente na maioria do tempo em que isto se passa
(Washington Luís toma posse mais para o fim). Toríbio se junta,
contra a vontade de Rodrigo, a Coluna Prestes. Mas ele só é
visto mais ao final da história, que se passa a volta de Rodrigo,
chocado pela morte da filha (ele leva um ano para se recuperar,
ainda assim nem muito) e ainda perturbado com a do pai. Mostra
também a partida do quieto Floriano, já com jeito para letras,
para estudar em Porto Alegre. Quando finalmente recebe notícias
de seu irmão, vindas do já tenente-coronel Rubim, Rodrigo parte
para o Rio e Toríbio é liberto da prisão. Chegando ao Sobrado,
Toríbio conta de sua experiência com a Coluna Prestes aos mais
chegados e como só se salvara de morrer porque um militar cujo
a vida Rodrigo salvou era o responsável pela execução. Mas foi
preso ainda assim. É importante dizer também que, desiludido
com a medicina após a morte de Alicinha, Rodrigo vende a farmácia
e a Casa de Saúde aos médicos que o ajudavam, Dante Camerino
e Carlo Carbone, fecha o consultório e entrega a administração
do Angico ao sogro. O cavalo e o obelisco é a história da Revolução
de 1930, mostrada desde poucos meses antes até poucos dias depois.
A medida que a tensão cresce vai mostrando-se a confusão de
sentimentos sobre o Getúlio Vargas que Rodrigo esgosta e vem
a admirar tanto mais tarde. Como o pai, Rodrigo é obrigado a
se aliar com os antigos inimigos (Laco Madruga dessa vez) relutantemente.
Floriano, já mais velho, parasitando de modo ainda mais relutante
em Rodrigo e sentindo-se mal por isso é obrigado pelo pai. Homem
de paz, quando durante a tomada da guarnição federal de Santa
Fé o pai é ameaçado de morte por um homem que era amigo, Floriano
não o mata em defesa do pai, mesmo depois que este já havia
sido alvejado pelo Tenente no ombro. Floriano foge então sendo
chamado de covarde pelo pai. O homem, Tenente Bernardo Quaresma,
estava acuado no escritório, não tendo sentido a explosão das
granadas por estar acompanhado de um cachorro, que depois assombrou
Santa Fé. Rodrigo acaba por dar o primeiro dos tiros que mata
este Tenente, que era apaixonado pela mulher com quem Rodrigo
estava traindo Flora na época, uma poetisa. Rodrigo passa a
se atormentar pela morte de Quaresma a partir daquele dia. Depois
ele se encontra com Getúlio Vargas na estação, faz um discurso
dramático e parte para o Rio de Janeiro. Noite de Ano-Bom mostra
um único dia: 31/12/1937. Começando com o enterro da mãe de
Arão Stein, que se encontra na Guerra Civil na Espanha, financiado
por Rodrigo. Eduardo, influenciado por Stein, já principia a
militar o comunismo. Floriano se sente um covarde por não ter
revelado à Sílvia seus sentimentos, que agora percebe o quanto
eram profundos ao vê-la, no dia de seu noivado com Jango. Então
se lembra do relacionamento com a americana no RJ que o afastou
de Sílvia. Já aqui a história se foca mais em Floriano que Rodrigo
e mostra o quão corrompida foi a família desde 1930. O noivado
realiza-se sob um clima pesado com Rodrigo defendendo, apesar
de ainda não ter digerido, o Estado Novo de todos, inclusive
seu irmão Toríbio. Escala também o nazi-fascismo em Santa Fé.
Corre tudo relativamente bem, exceto pelo desentendimento entre
Toríbio e Rodrigo, até que alguém propõem um brinde à Getúlio
Vargas e ao Estado Novo. Toríbio se revolta, faz um pequeno
escândalo e sai com Floriano para um baile numa das favelas
de Santa Fé. Tentando seduzir uma jovem mulata, mete-se numa
briga com o outro pretendente. Floriano ainda ataca um de seus
inimigos com uma garrafada (gesto que não pode realizar em prol
do pai), mas muita tarde. Toríbio é ferido na virilha e se esvai
em sangue, chegando morto ao hospital, suas últimas palavras
sendo "Um piazinho de merda..". Do diário de Sílvia
vem o preenchimento dos anos seguintes à tragédia, com impressões
sobre seus sentimentos em relação a Floriano, quase idênticos
aos que este sentia; o casamento infeliz e sem amor com Jango;
as dúvidas quanto a sua religiosidade; a correspondência com
Floriano; as confidências com e de Arão Stein (de volta da Espanha.
Mais tarde expulso do PC, começa a enlouquecer) e Zeca (já usando
o nome de Irmão Toríbio). Lembra-se também da infância infeliz
e como idolatrava a "gente do Sobrado", sentindo-se
em incesto quando dorme com Jango. E registra as reações em
relação à guerra, a volta de Pepe Garcia e o que Floriano lhe
escreve dos EUA. Encruzilhada, a última parte, tem um título
que define a situação em que a família, p país se encontra naquele
final de 1945: estão numa encruzilhada da vida. Começa a história
com Arão Stein, enlouquecido pela expulsão do PC se matando,
enforcado na figueira na paraça central de Santa Fé. Em seguida
passa-se seu funeral e enterro (Rodrigo não fica sabendo), onde
Rodrigo, Zeca e Roque Bandeira discutem mais uma vez. Stein
é enterrado sem ter a alma encomendada, como todo suicida. No
Sobrado, Floriano se cruza com Sílvia, abraça-a e beija-a, mas
ambos se separam e ela foge. Depois ele e Sílvia tem uma conversa
séria e ela lhe entrega para ler seu diário. Antes de lê-lo,
Floriano tem a conversa definitiva no qual desabafa tudo o que
pensava e sentia sobre sua relação com o pai, cortando definitivamente
o cordão umbilical que os prendia, reconciliando-se com ele
e consigo mesmo. Rodrigo, já liberado por Dante para voltar
ao Rio, manda Sônia, sua amante de volta antes e planeja romper
com ela. Floriano sobe até seu refúgio no sótão e lê o diário
de Sílvia, sente-se afinado, inveja Zeca por ter com ela uma
intimidade que ele nunca terá e finalmente lê a última frase
onde ela revela estar grávida. Rodrigo e Flora ouvem isto e
ficam felizes. Rodrigo prepara-se então para voltar ao RJ, mas
morre antes. Seu funeral se processa como era de se esperar.
Na noite de Ano-Bom acontece a festa tradicional, morre Laco
Madruga, vê-se todos os personagens por uma última vez e muito
é revelado. Floriano planeja construir as pontes que ligarão
sua ilha a este Arquipélago de pessoas. E ao final, enquanto
o neto de Alvarino Amaral, admirador do escritor e conterrâneo
Floriano Cambará, compõem seu primeiro poema e pensa em se aconselhar
com ele, Floriano escreve as primeiras linhas de seu romance
catártico que contará a história de sua família: as primeiras
palavras de O Tempo e O Vento.
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