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Ubirajara
- José de Alencar
Esta obra trata-se
da formação da grande nação Ubirajara. Jaguarê , um caçador
da nação araguaia procura um inimigo terrível para vencê-lo
em combate de morte e ganhar nome de guerra. Para conseguir
essa façanha, ele deixa sua taba e a presença de Jandira, sua
futura esposa. Depois de alguns dias na selva, à beira do rio
Tocantins-Araguaia, onde a nação Tocantim dominava, ele encontra
Araci, filha desta valente nação. Jaguari propõe a Araci que
retorne a sua nação e "diga aos seus guerreiros que eu
os desafio ao combate". Mas, antes de Araci retornar, Pojucã,
seu irmão, encontra com Jaguarê que propõe um combate leal.
Depois de muito tempo de combate, os dois perceberam que eram
iguais em força e valentia e se convenceram que nenhum derrubaria
o outro, e para finalizar, eles resolveram disputar uma corrida.
Quem chegasse primeiro na lança venceria o combate. Os dois
tocaram juntos na lança, porém, esta ficou na mão de Pojucã.
Ao arremessar a lança para matar Jaguarê, ela se voltou contra
Pojucã e esse recebeu-a no peito. Logo, Jaguarê se torna o vencedor,
leva Pojucã como prisioneiro para a festa da vitória, onde será
reconhecido como Ubirajara. Na festa a nação araguaia, depois
de Pojucã relatar o feito heróico de Ubirajara, Camacã, o grande
chefe da nação araguaia e pai de Ubirajara, reconhece que seu
filho passou por uma grande prova e o nomeou chefe da nação.
Com a nomeação de guerreiro, Ubirajara no dia seguinte pegaria
Jandira e a levaria para a cabana nupcial. Como Ubirajara não
apareceu, ela partiu em busca de seu noivo. Na noite anterior,
Ubirajara sonhara com Araci e foi ao seu encontro, sendo interrompido
por Jandira. Então, ele disse a Jandira que ainda não escolhera
o seio que geraria seu primeiro filho. Sendo um ritual, Ubirajara
escolhe uma esposa digna de acompanhar o herói inimigo nos seus
últimos dias e ter um filho de guerra, e Jandira foi a escolhida.
Inconformada com a decisão e com o abandono, sujeitava-se a
morte, por isso, fugira da cabana de Pojucã, antes da volta
de Ubirajara para matar o prisioneiro. Ao chegar à grande taba
dos Tocantins, como hóspede Ubirajara é acolhido por Itaquê
o grande chefe dos Tocantins. Sendo de costume ele não poderia
perguntar a origem nem o nome do hóspede. Então, Ubirajara tinha
que escolher um nome, e o nome escolhido foi Jurandir. Araci
avistou o caçador araguaia e adivinhou que ele viera a cabana
de Itaquê para disputar sua beleza aos guerreiros Tocantins.
Foram feitas muitas festas para o estrangeiro, mas, através
da Lei de Hospitalidade, Araci não podia revelar o segredo do
visitante. Depois de festas, Jurandir, conduzido pela virgem
foi ao encontro de Itaquê, dizendo que viera servir ao pai de
Araci, pois queria disputar aos outros guerreiros o seio de
esposa de Araci. A partir daí, Jurandir deixou de ser estrangeiro
e passou a fazer parte da cabana de Itaquê como servo do amor,
trabalhando para o pai de sua noiva. Jurandir era o maior caçador
e o melhor pescador, tudo estava em abundância na cabana do
chefe dos Tocantins. Quando Araci foi procurar as plumas para
fazer o cocar do amor, encontrou-se com Jandira. Araci quase
foi atacada por Jandira, mas Jurandir chegou a tempo de impedir.
Então, ele amarrou a mão de Jandira e as deixou a sós. Ficaram
então competindo e defendendo o amor por Ubirajara. Depois de
algum tempo, Araci desata os braços de Jandira e dá a ela a
liberdade. Chega o dia do combate nupcial, os noivos de Araci
estavam disputando sua posse. Depois de muitas provas típicas
do costume indígena, Jurandir se consagra vencedor, mas antes
de receber a esposa, devia declarar quem era, pois fora recebido
como visitante e ninguém o conhecia. Itaquê pede a Jurandir
que se identifique, pois ele não deixaria sua filha Araci, entrar
numa taba onde habituasse quem tivesse ofendido um só de seus
guerreiros. Sendo assim Jurandir se apresenta-se como Ubirajara,
o chefe da grande nação Araguaia. Contou aos Tocantins o seu
encontro com Pojucã, o combate que o venceu e que voltara no
sol seguinte para assistir ao combate da morte. Nisso, Itaquê
reconhece o matador de seu filho Pojucã, que havia partido para
rastejar a marcha dos Tapuias. Mas não podia vingar seu filho
pois o matador era seu hóspede e não admite que sua esposa Jacamim
chore na frente de Jurandir o matador de seu filho. Itaquê disse
a Ubirajara que nunca iria ofendê-lo em sua taba pela lei da
hospitalidade e despede-se dele. Ubirajara ao partir propõe
a guerra à Itaquê como inimigo, pois queria restituir a sua
esposa. Então, Ubirajara vai até a sua nação buscar seus guerreiros,
nisso liberta Pojucã e dá a ele a chance de lutar com sua nação.
Depois de cinco sois, o chefe dos Araguaias volta à taba dos
Tocantins, mas, antes de chegar encontra-se com os Tapuias que
iam vingar Pojucã que havia incendiado a taba dos Tapuias. Como
não era certo lutar as três tribos ao mesmo tempo , Itaquê,
Ubirajara e Canicrã decidem que o vencedor de Tocantins X Tapuias
iria combater com os Araguaias. Durante o combate entre Canicrã
e Itaquê, Itaquê é atingido nos olhos por Pãa e atinge Canicrã,
arrancando-lhe a cabeça. Então Ubirajara viu-se sem os guerreiros
para vencer, mas viu Pãa, e mandou que Abeguar o apanhasse para
ser escravo de Itaquê. Nisso, a nação Tocantim ficou sem o grande
guerreiro Itaquê que ficara cego. Os Tapuias voltaram, com Agná
à frente de sua nação, para vingar a morte de Canicrã seu irmão.
Mas os Tocantins estavam sem um grande chefe que pudesse abrir-lhes
o caminho da guerra já que Itaquê estava cego e Pojucã não agüentava
brandir o arco de seu pai e jamais empunharia outro arco chefe
menos glorioso. Então, com sua experiência Itaquê pede a Ubirajara
e propôs a ele que empunhasse o arco de Itaquê e conquistasse
por heroísmo uma esposa e uma nação. Então Ubirajara uniu a
nação dos Tapuias e formou a grande nação dos Ubirajaras tendo
duas esposas, Araci pelos Tocantins e Jandira pelos Araguaias
que seriam mães de seus filhos.
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